Política

“Não Deixa Eu Ganhar”: Renan Santos Reage a Ação do Mpf e Promete Investigar Ongs Se Eleito

Candidato do Missão classificou processo como “bizarro”, rejeitou retratação e voltou a criticar protestos indígenas no Pará. MPF pede R$ 500 mil de indenização por declarações consideradas discriminatórias.

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O candidato à Presidência Renan Santos (Missão) reagiu à ação apresentada pelo Ministério Público Federal por declarações feitas contra indígenas do Baixo Tapajós, no Pará.

Em vídeo divulgado nas redes sociais, Renan classificou o processo como “bizarro”, descartou pedir desculpas pelas falas e voltou a criticar os protestos realizados na região.

“Não deixa eu ganhar a eleição”, repetiu três vezes ao final da gravação.

Por que Renan virou alvo do MPF?

A ação está relacionada a declarações feitas durante protestos e a ocupação do terminal da Cargill, em Santarém.

Na ocasião, grupos indígenas protestavam contra um decreto do governo federal relacionado à inclusão de trechos de rios amazônicos no Programa Nacional de Desestatização.

Segundo o MPF, publicações feitas por Renan e pelo MBL utilizaram expressões consideradas discriminatórias contra os manifestantes.

Em uma delas, Renan chamou participantes dos protestos de “vagabundos” e “picaretas” e afirmou que eles estariam “sabotando” a Região Norte.

O Ministério Público sustenta que as declarações atingiram cerca de 22 mil indígenas de 14 etnias que vivem em Santarém, Belterra e Aveiro.

Renan chama ocupação de “ato político criminoso”

Ao responder ao processo, Renan afirmou que suas críticas estavam relacionadas ao que classificou como uma invasão de propriedade.

“Como eu critiquei, porque isso é um ato político criminoso, isso aparentemente ofendeu algumas ONGs, associações e também o Ministério Público, que entrou com essa ação bizarra”, declarou.

A caracterização feita por Renan representa a versão política apresentada por ele sobre os protestos.

Candidato promete CPI contra ONGs

Renan também afirmou que, caso seja eleito, pretende apoiar uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar organizações não governamentais e seus financiadores.

Ele acusou algumas entidades de participarem de uma suposta “sabotagem ao Brasil” e prometeu investigar a origem dos recursos utilizados por essas organizações.

As acusações feitas pelo candidato não foram acompanhadas, no vídeo citado, de provas que demonstrem a existência de um esquema de sabotagem.

MPF pede R$ 500 mil e retratação

Na ação, o Ministério Público Federal pede uma indenização de R$ 500 mil.

O órgão também solicita a retirada das publicações questionadas e a proibição de novos conteúdos considerados ofensivos aos indígenas envolvidos.

Como forma de reparação simbólica, o MPF pediu ainda que Renan Santos e o MBL publiquem um vídeo de retratação.

Em caso de condenação, também é solicitada a veiculação, durante seis meses, de uma campanha educativa com conteúdos indicados pelo Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns.

Renan rejeitou a possibilidade de se retratar e indicou que pretende manter o confronto político e judicial em torno do caso.

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Breno Veja Minas

Redator, escritor e gestor do Veja Minas, portal de notícias sobre Minas Gerais. Cuido de toda a operação editorial, da apuração à publicação, acreditando no jornalismo como forma de informar e aproximar as pessoas dos fatos.

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