O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), citou a existência de indícios de possível ligação entre integrantes do PCC e empresas relacionadas a um esquema investigado pela Polícia Federal que também envolve recursos associados à produção do filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A referência aparece na decisão que autorizou a Operação Make Up, deflagrada para investigar suspeitas de desvios de emendas parlamentares.
Dino fala em possível “sistema delitivo”
Ao autorizar a operação, Dino afirmou que os elementos reunidos até o momento podem indicar a existência de um único sistema criminoso envolvendo recursos públicos e diferentes núcleos investigados.
Segundo o ministro, há menções a atos que poderiam ter relação inclusive com integrantes do PCC.
A investigação ainda está em andamento, e a citação não representa conclusão definitiva sobre participação da facção no financiamento do filme.
Suspeita envolve empresa ligada a projeto de Wi-Fi
Um dos pontos analisados envolve o Instituto Conhecer Brasil, ligado à empresária Karina Gama.
Segundo a decisão, o instituto teria firmado um subcontrato com a Urban Connect Serviços e Tecnologia, empresa anteriormente chamada Favela Conectada Serviço e Tecnologia.
A companhia teria como sócio Alex Leandro Bispo dos Santos, apontado por informações de inteligência policial como integrante do PCC.
O contrato estava relacionado ao projeto Wi-Fi Livre SP, cujo valor total seria de R$ 12 milhões.
Transferências são analisadas pela investigação
De acordo com o material citado na decisão, a Urban Connect recebeu duas transferências do Instituto Conhecer Brasil.
Uma delas foi de R$ 611.111, em fevereiro de 2025. A outra, de R$ 666.666,67, foi registrada em abril do mesmo ano.
Posteriormente, a empresa teria transferido R$ 250 mil para a Ultra IP Tecnologia, que, segundo a investigação, repassou recursos para outras empresas e entidades relacionadas ao núcleo investigado.
Operação também apura recursos relacionados ao filme
A investigação busca esclarecer se parte de recursos provenientes de emendas parlamentares teria chegado a empresas ou pessoas ligadas à produção de Dark Horse.
O longa retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Até o momento, os elementos citados na decisão representam hipóteses e indícios analisados pela Polícia Federal e pelo STF. Não há conclusão definitiva de que o PCC tenha financiado o filme ou participado diretamente de sua produção.




