Romer Saucedo é suspeito de tráfico de drogas e organização criminosa e diz ser perseguido pelo governo de Rodrigo Paz, que rejeita a acusação; Ministério Público vai acionar a Interpol
O presidente do Tribunal Supremo de Justiça da Bolívia, Romer Saucedo, deixou o país depois de ter a prisão decretada por suspeita de tráfico de drogas e organização criminosa. Segundo o procurador-geral interino, José Armando Urioste, há suspeita de que o magistrado esteja no Brasil.
O Ministério Público boliviano anunciou que vai acionar a Interpol para uma busca internacional. Saucedo afirma ser vítima de perseguição política.
A ordem de prisão
- O mandado foi expedido na terça-feira (3), com base nos crimes de tráfico de substâncias controladas e organização criminosa, e cita riscos de fuga e de obstrução da Justiça;
- Segundo Urioste, Saucedo havia voltado à Bolívia naquele dia, depois de uma viagem ao exterior, e teria deixado o país por via terrestre;
- Na quinta-feira (5), as autoridades fizeram quatro operações em Santa Cruz, prenderam familiares do magistrado e apreenderam materiais;
- A investigação corre sob sigilo, por contar com testemunhas protegidas.
O que diz o magistrado
Em publicação nas redes sociais, Saucedo afirmou que a Bolívia deixou de ser um país seguro e que a liberdade dele e a vida da família correm perigo. Ele acusou o poder político de preparar provas falsas para desacreditá-lo e disse que, de fora do país, pode ser “mais útil do que preso ou morto”.
O que diz o governo
O presidente boliviano, Rodrigo Paz, rejeitou a acusação de perseguição e classificou a fuga como uma “notícia penosa”. O ministro de Governo, Marco Antonio Oviedo, disse que Saucedo “ficou nervoso” com o avanço das investigações. O governo relaciona o caso ao do ex-procurador-geral Roger Mariaca, preso em outubro sob acusação de liderar uma organização que protegia o narcotráfico.
Prazo para voltar
O tribunal deu seis dias para que Saucedo reassuma o cargo em Sucre; se ele não voltar, serão analisadas medidas por abandono do cargo. A decana Rosmery Ruiz assumiu a presidência interina.
Saucedo, de 38 anos, foi eleito magistrado por voto popular em 2024, com mais de 700 mil votos, e assumiu a presidência do tribunal em janeiro de 2025. Em sua gestão, determinou a revisão de processos que levaram à soltura de opositores do Movimento ao Socialismo (MAS), como Jeanine Áñez e Luis Fernando Camacho. Em outubro, ele havia apresentado renúncia ao cargo, com efeito previsto para janeiro de 2027.
O que ainda não se sabe
- Se o magistrado está de fato no Brasil e se o governo brasileiro foi acionado;
- Quais provas sustentam a acusação, já que a investigação é sigilosa.
O Veja Minas acompanha o caso e atualiza a matéria assim que houver novas informações.






