Publicações nas redes afirmam que Donald Trump teria dito que o combate às facções brasileiras ocorreria “com ou sem cooperação” do governo Lula. A política dos Estados Unidos contra PCC e Comando Vermelho é real, mas não foi localizada declaração oficial do presidente com essa frase exata.

Publicações que circulam nas redes sociais nesta semana afirmam que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teria declarado que o combate ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV) será realizado “com ou sem cooperação” do governo brasileiro.
A afirmação ganhou repercussão em meio ao aumento da pressão de Washington sobre organizações criminosas brasileiras.
A Veja Minas verificou, porém, que é necessário fazer uma distinção importante.
Os Estados Unidos realmente endureceram sua política contra PCC e CV em 2026, mas, até o momento, não foi encontrada em fontes oficiais uma declaração direta de Donald Trump utilizando exatamente a frase que viralizou.
Estados Unidos classificaram PCC e CV como organizações terroristas
Em maio de 2026, o Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou oficialmente a designação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas.
Segundo o governo norte-americano, as duas facções possuem atuação violenta e participação em atividades criminosas transnacionais.
A medida ampliou os instrumentos que Washington pode utilizar contra pessoas, empresas e estruturas financeiras relacionadas aos grupos.
A classificação passou a produzir efeitos em junho.
Pressão norte-americana sobre o Brasil aumentou
Antes mesmo da designação, o governo Trump já vinha pressionando o Brasil por ações mais duras contra organizações criminosas.
Em março, informações divulgadas pela imprensa mostraram que Washington apresentou ao governo brasileiro propostas de cooperação em segurança que incluíam uma estratégia específica contra PCC e CV.
O assunto também esteve presente nas discussões bilaterais entre os dois países ao longo de 2026.
A administração Lula, por sua vez, defendeu cooperação internacional contra tráfico de drogas, armas e lavagem de dinheiro, mas demonstrou resistência à classificação das facções brasileiras como organizações terroristas.
“Com ou sem cooperação” aparece nas redes, mas autoria precisa ser diferenciada
A expressão de que os Estados Unidos agiriam “com ou sem cooperação brasileira” começou a circular em vídeos e publicações nas redes sociais.
Algumas postagens atribuem a frase diretamente a Donald Trump.
Até a checagem realizada pela Veja Minas, no entanto, não foi localizado comunicado da Casa Branca, discurso presidencial ou entrevista oficial em que Trump utilize exatamente essa formulação ao falar de PCC e Comando Vermelho.
Por isso, apresentar a declaração entre aspas como uma fala comprovada do presidente norte-americano seria impreciso.
O que está documentado é uma política mais agressiva do governo dos Estados Unidos contra as duas organizações.
Brasil demonstra preocupação com soberania
A decisão norte-americana também abriu uma discussão diplomática sobre os limites de atuação dos Estados Unidos contra grupos classificados como terroristas fora de seu território.
Autoridades brasileiras já manifestaram preocupação com qualquer possibilidade de atuação estrangeira em território nacional sem autorização do Brasil.
O combate ao crime organizado pode envolver cooperação policial, compartilhamento de inteligência, bloqueio de recursos financeiros, investigações internacionais e operações conjuntas.
Uma eventual ação operacional dentro do território brasileiro, entretanto, envolve questões jurídicas e de soberania muito mais complexas.
Classificação não significa autorização automática para operação militar no Brasil
A inclusão de PCC e CV na lista norte-americana de organizações terroristas não significa, por si só, autorização para que forças dos Estados Unidos realizem operações militares livremente dentro do Brasil.
Qualquer ação desse tipo abriria uma crise diplomática e jurídica de grandes proporções.
Especialistas e autoridades brasileiras passaram a discutir justamente esse risco após a decisão norte-americana.
O debate envolve o alcance das leis dos Estados Unidos, o direito internacional e o princípio da soberania territorial brasileira.
Relação entre Lula e Trump enfrenta novo ponto de tensão
O combate ao crime organizado tornou-se mais um tema sensível na relação entre Brasília e Washington em 2026.
Os dois governos afirmam reconhecer a necessidade de enfrentar organizações criminosas transnacionais, mas divergem sobre a forma de enquadrar juridicamente PCC e Comando Vermelho.
Enquanto Washington decidiu tratá-los como organizações terroristas, o governo brasileiro mantém a posição de que essas facções devem ser enfrentadas principalmente pelos instrumentos de segurança pública e combate ao crime organizado.
Com a proximidade das eleições brasileiras, o tema também ganhou forte dimensão política e passou a ser utilizado por diferentes grupos no debate eleitoral.
A política norte-americana contra PCC e CV é, portanto, um fato. Já a frase viral atribuída diretamente a Donald Trump deve ser tratada com cautela até que exista um registro oficial que comprove sua autoria.




