Minas

Agiotagem Avança na Grande Bh com Juros de Até 40%, Ameaças e Casos de Violência

Casos de agiotagem com juros abusivos, ameaças e violência têm se multiplicado em Belo Horizonte e na Região Metropolitana ao longo de 2026.

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Relatos de vítimas e investigações da Polícia Civil apontam para esquemas que utilizariam intimidação, perseguições, agressões e exposição pública de devedores como forma de cobrança.

Dívidas crescem rapidamente com juros abusivos

Uma das vítimas relatou que um familiar pegou R$ 5 mil emprestados, mas a dívida teria ultrapassado R$ 40 mil por causa dos juros.

Segundo ela, mesmo após pagamentos elevados, a cobrança continuou. Atualmente, afirma desembolsar cerca de R$ 2 mil por mês, enquanto recebe aproximadamente R$ 2,8 mil.

A cada atraso, novos valores seriam acrescentados.

Vídeos de agressões seriam usados para intimidar

De acordo com os relatos, cobradores enviariam mensagens, imagens e vídeos de pessoas sendo agredidas para pressionar devedores.

Também haveria casos de perseguição, invasão de imóveis, retirada de pertences e exposição pública de vítimas.

Algumas pessoas evitariam até registrar boletim de ocorrência por medo de represálias.

Operações já prenderam dezenas de suspeitos

Em maio, a Polícia Civil realizou a Operação Capital Coativo, que investigou suspeitas de agiotagem, extorsão e lavagem de dinheiro.

Em uma das fases, 14 pessoas foram presas na Grande BH, entre elas brasileiros e estrangeiros. Segundo a investigação, o grupo oferecia empréstimos principalmente a pequenos comerciantes e mulheres e cobrava taxas elevadas.

Facas, celulares, computadores e dinheiro em espécie foram apreendidos.

A polícia estima que mais de 340 pessoas tenham sido vítimas do esquema investigado.

Casos também envolvem cárcere e agressões

Outras operações realizadas em 2026 investigaram situações em que cobranças de dívidas teriam terminado em sequestro, cárcere privado, espancamentos e ameaças.

Em agosto, dez pessoas foram presas em uma operação contra um grupo suspeito de cobrar juros de até 30% ao mês em São José da Lapa.

Já nesta semana, um homem de 32 anos foi preso no bairro Ouro Preto, em Belo Horizonte, suspeito de cobrar juros de até 40% ao mês.

Segundo a investigação, uma vítima teria pegado R$ 500 emprestados, pago cerca de R$ 1,4 mil e ainda era cobrada por aproximadamente R$ 5 mil.

Prática pode configurar crime de usura

Segundo especialistas ouvidos na reportagem, a chamada agiotagem pode configurar crime de usura quando há empréstimo de dinheiro com cobrança de juros acima dos limites legais por pessoas não autorizadas a atuar como instituições financeiras.

Além disso, ameaças, constrangimento ilegal, lesão corporal, extorsão e cárcere privado podem gerar outras responsabilizações criminais.

A orientação para vítimas é guardar mensagens, áudios, fotografias e outros registros que possam ajudar em uma eventual investigação.

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Breno Veja Minas

Redator, escritor e gestor do Veja Minas, portal de notícias sobre Minas Gerais. Cuido de toda a operação editorial, da apuração à publicação, acreditando no jornalismo como forma de informar e aproximar as pessoas dos fatos.

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