Casos de agiotagem com juros abusivos, ameaças e violência têm se multiplicado em Belo Horizonte e na Região Metropolitana ao longo de 2026.

Relatos de vítimas e investigações da Polícia Civil apontam para esquemas que utilizariam intimidação, perseguições, agressões e exposição pública de devedores como forma de cobrança.
Dívidas crescem rapidamente com juros abusivos
Uma das vítimas relatou que um familiar pegou R$ 5 mil emprestados, mas a dívida teria ultrapassado R$ 40 mil por causa dos juros.
Segundo ela, mesmo após pagamentos elevados, a cobrança continuou. Atualmente, afirma desembolsar cerca de R$ 2 mil por mês, enquanto recebe aproximadamente R$ 2,8 mil.
A cada atraso, novos valores seriam acrescentados.
Vídeos de agressões seriam usados para intimidar
De acordo com os relatos, cobradores enviariam mensagens, imagens e vídeos de pessoas sendo agredidas para pressionar devedores.
Também haveria casos de perseguição, invasão de imóveis, retirada de pertences e exposição pública de vítimas.
Algumas pessoas evitariam até registrar boletim de ocorrência por medo de represálias.
Operações já prenderam dezenas de suspeitos
Em maio, a Polícia Civil realizou a Operação Capital Coativo, que investigou suspeitas de agiotagem, extorsão e lavagem de dinheiro.
Em uma das fases, 14 pessoas foram presas na Grande BH, entre elas brasileiros e estrangeiros. Segundo a investigação, o grupo oferecia empréstimos principalmente a pequenos comerciantes e mulheres e cobrava taxas elevadas.
Facas, celulares, computadores e dinheiro em espécie foram apreendidos.
A polícia estima que mais de 340 pessoas tenham sido vítimas do esquema investigado.
Casos também envolvem cárcere e agressões
Outras operações realizadas em 2026 investigaram situações em que cobranças de dívidas teriam terminado em sequestro, cárcere privado, espancamentos e ameaças.
Em agosto, dez pessoas foram presas em uma operação contra um grupo suspeito de cobrar juros de até 30% ao mês em São José da Lapa.
Já nesta semana, um homem de 32 anos foi preso no bairro Ouro Preto, em Belo Horizonte, suspeito de cobrar juros de até 40% ao mês.
Segundo a investigação, uma vítima teria pegado R$ 500 emprestados, pago cerca de R$ 1,4 mil e ainda era cobrada por aproximadamente R$ 5 mil.
Prática pode configurar crime de usura
Segundo especialistas ouvidos na reportagem, a chamada agiotagem pode configurar crime de usura quando há empréstimo de dinheiro com cobrança de juros acima dos limites legais por pessoas não autorizadas a atuar como instituições financeiras.
Além disso, ameaças, constrangimento ilegal, lesão corporal, extorsão e cárcere privado podem gerar outras responsabilizações criminais.
A orientação para vítimas é guardar mensagens, áudios, fotografias e outros registros que possam ajudar em uma eventual investigação.




