Dados do Fiscaliza Minas apontam que 839 dos 853 municípios mineiros receberam recursos formalizados pela Segov durante os 14 meses em que Marcelo Aro comandou a pasta. Hoje candidato ao Senado, ele afirma ter o apoio de 844 prefeitos.

O ex-secretário de Estado de Governo de Minas Gerais e atual candidato ao Senado Marcelo Aro, do PP, esteve à frente da formalização de mais de R$ 2 bilhões em convênios com prefeituras mineiras durante os 14 meses em que comandou a Secretaria de Estado de Governo, a Segov.
De acordo com dados disponibilizados pela plataforma Fiscaliza Minas, foram R$ 2.035.678.800 em convênios formalizados entre fevereiro de 2025 e abril de 2026.
Os recursos estavam relacionados à execução de emendas parlamentares destinadas por deputados estaduais e federais.
Ao todo, 839 dos 853 municípios de Minas Gerais aparecem como beneficiados no período.
Aro diz ter apoio de 844 prefeitos
A capilaridade alcançada pelo ex-secretário junto às administrações municipais também ganhou destaque na atual campanha eleitoral.
Em entrevista concedida em julho, Aro afirmou contar com o apoio público de 844 dos 853 prefeitos de Minas Gerais.
“Só nove não me apoiam”, declarou na ocasião.
Se confirmada integralmente nas urnas e nas manifestações políticas, a rede representa apoio declarado de praticamente todos os chefes de Executivo municipais do estado.
Recursos e apoios entram no debate político
A proximidade entre o volume de municípios contemplados por convênios e o número de prefeitos que Aro afirma ter como apoiadores passou a alimentar discussões nos bastidores da política mineira.
Interlocutores ouvidos sob reserva atribuem parte dessa capilaridade à atuação de Aro na liberação e execução de emendas e recursos destinados às cidades.
Segundo esses relatos, alguns prefeitos teriam declarado apoio político em meio à busca pela aceleração de repasses.
Não há, porém, nos dados apresentados, comprovação de que a liberação de recursos tenha sido condicionada formalmente a apoio eleitoral.
A destinação de emendas parlamentares é um instrumento previsto na administração pública e os convênios seguem regras próprias de execução e fiscalização.
Aro comandou Segov por 14 meses
Marcelo Aro assumiu a Secretaria de Estado de Governo em 15 de fevereiro de 2025.
Ele permaneceu no cargo até 2 de abril de 2026, quando deixou a função para cumprir o prazo de desincompatibilização exigido pela legislação eleitoral antes de disputar o Senado.
A Segov ocupa posição estratégica na relação do governo estadual com deputados, prefeitos e demais lideranças políticas, além de participar da articulação para execução de emendas destinadas aos municípios.
Ex-sócio assumiu secretaria depois de Aro
Após a saída de Aro, a pasta passou a ser comandada por Castellar Guimarães Neto.
Castellar também mantém relação empresarial com Aro em negócios ligados à criação de gado.
Ele permaneceu à frente da secretaria até 31 de julho, quando foi exonerado pelo governador Mateus Simões, do PSD, em meio ao rompimento político entre o governador e Marcelo Aro.
O volume de convênios e a extensa rede de prefeitos aliados devem continuar no centro da disputa política em Minas Gerais durante a campanha para o Senado.




