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Bh Aprova Projeto de Verticalização do Centro e Moradores Temem Impacto em Santa Tereza

Texto aprovado pela Câmara flexibiliza regras urbanísticas e cria incentivos para novos empreendimentos. Moradores e especialistas temem descaracterização de bairros tradicionais e impactos sobre comunidades quilombolas.

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A Câmara Municipal de Belo Horizonte aprovou em segundo turno, nesta segunda-feira (31), o Projeto de Lei 574/2025, que cria a Operação Urbana Simplificada Regeneração dos Bairros do Centro.

A proposta, enviada pela Prefeitura de Belo Horizonte, foi aprovada por 34 votos a favor e cinco contra.

O texto altera regras de uso e ocupação do solo na região central da capital e cria incentivos para novos empreendimentos imobiliários.

Entre as medidas previstas estão benefícios tributários, flexibilização de regras construtivas e criação de moradias sociais.

Moradores temem verticalização de Santa Tereza

A aprovação provocou reação de moradores de bairros tradicionais, principalmente Santa Tereza, na região Leste.

A principal preocupação envolve a possibilidade de grandes empreendimentos em uma área conhecida como Chapéu de Napoleão, localizada entre a Avenida dos Andradas e a Vila Dias.

Segundo informações apresentadas anteriormente em audiência pública, existe a possibilidade de um complexo com edifícios de diferentes alturas, incluindo torres de até 24 andares.

O projeto mencionado por moradores também poderia incluir áreas residenciais, comerciais, corporativas, hoteleiras e um estacionamento de grande porte.

Até o momento, porém, a Prefeitura informou não ter recebido protocolo formal de licenciamento de obra para o local.

“Acabou a magia do bairro”

Moradores argumentam que uma verticalização em grande escala pode modificar uma das principais características de Santa Tereza.

O bairro é conhecido por casas mais baixas, ruas de perfil residencial, bares, praças e forte ligação com a história cultural de Belo Horizonte, especialmente com o Clube da Esquina.

Pedro Martins, liderança do Coletivo Alvorada e morador da região, afirmou que a preocupação é com uma transformação definitiva da identidade local.

Segundo ele, a construção de grandes torres poderia abrir precedente para novos empreendimentos e modificar completamente a dinâmica do bairro.

Especialista fala em risco ao patrimônio cultural

O urbanista e professor da UFMG Roberto Andrés também fez críticas ao projeto.

Para ele, o estímulo ao adensamento pode fazer sentido em regiões como o Hipercentro e o Barro Preto, mas a aplicação da mesma lógica em bairros tradicionais pode comprometer a paisagem urbana e o patrimônio cultural.

Segundo o especialista, preservar um bairro não significa apenas conservar edificações específicas, mas também manter a paisagem, a escala das construções e a relação dos moradores com o espaço.

Comunidade quilombola também questiona projeto

A discussão também envolve o Quilombo Família Mattias, que possui mais de um século de presença na região.

Representantes da comunidade afirmam que não foram consultados sobre possíveis intervenções que possam afetar seu território e suas práticas culturais e religiosas.

A liderança Luciana de Souza Matias argumenta que alterações no entorno podem interferir em locais utilizados pela comunidade para manifestações religiosas e preservação de sua ancestralidade.

O que muda com o projeto

A proposta aprovada prevê, entre outros pontos, isenção temporária de determinados tributos para empreendimentos enquadrados nas regras da operação urbana.

Também há previsão de flexibilização de parâmetros construtivos e incentivos à ocupação de áreas da região central.

A Prefeitura defende a iniciativa como instrumento de regeneração urbana.

Já moradores, urbanistas e movimentos locais argumentam que a proposta precisa considerar as particularidades de cada bairro e evitar que áreas de forte identidade histórica sejam transformadas de maneira irreversível.

Com a aprovação em segundo turno, o projeto segue agora para as próximas etapas do processo legislativo.

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Breno Veja Minas

Redator, escritor e gestor do Veja Minas, portal de notícias sobre Minas Gerais. Cuido de toda a operação editorial, da apuração à publicação, acreditando no jornalismo como forma de informar e aproximar as pessoas dos fatos.

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