Brasil

Casas Bahia, Habib’s, Tok&Stok e Marabraz Enfrentam Crise Financeira e Recorrem à Recuperação Judicial

Juros elevados, queda no consumo, crédito mais caro e alto endividamento ajudam a explicar a pressão sobre grandes empresas brasileiras em 2026.

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Empresas conhecidas dos brasileiros, como Casas Bahia, Habib’s, Tok&Stok e Marabraz, passaram a enfrentar dificuldades financeiras relevantes em 2026 e recorreram à recuperação judicial como forma de reorganizar dívidas e preservar suas operações.

Apesar das particularidades de cada companhia, um ponto aparece de forma recorrente nas justificativas apresentadas: o ambiente econômico marcado por juros elevados, crédito restrito e consumo pressionado.

A situação não atinge apenas grandes grupos. Em junho de 2026, mais de 9,1 milhões de CNPJs estavam inadimplentes no Brasil, segundo dados da Serasa Experian.

O número representa alta de 16,67% em relação ao mesmo período de 2025 e é o maior da série histórica iniciada em 2016.

Juros elevados pressionam empresas

A taxa Selic chegou a 15% em 2025 e permaneceu em patamar elevado nos primeiros meses de 2026.

Mesmo com redução posterior, os juros continuaram altos, encarecendo empréstimos e dificultando a rolagem de dívidas.

Para empresas que dependem de capital de giro e financiamento frequente, esse cenário aumenta rapidamente o custo financeiro.

Ao mesmo tempo, a desaceleração da economia pode reduzir as receitas justamente quando as companhias precisam gerar caixa para pagar compromissos antigos.

Habib’s aponta efeitos da pandemia e mudança no consumo

O Habib’s apresentou pedido de recuperação judicial com dívida declarada de aproximadamente R$ 265 milhões.

Entre as justificativas apresentadas pelo grupo estão investimentos feitos na expansão da rede, os impactos da pandemia e mudanças nos hábitos dos consumidores.

A empresa afirma que ampliou sua presença em shoppings e centros urbanos esperando maior demanda, mas o movimento não ocorreu como projetado.

O crescimento do trabalho remoto e híbrido também reduziu a circulação de pessoas em áreas comerciais, enquanto aplicativos de entrega ganharam espaço.

Além disso, o grupo apontou os juros elevados como um dos fatores determinantes para o agravamento da situação financeira.

Casas Bahia acumula bilhões em dívidas

A Casas Bahia também protocolou pedido de recuperação judicial em agosto.

A companhia atribuiu a decisão à deterioração das condições financeiras, à restrição de crédito, ao alto custo dos juros e à pressão sobre o consumo.

As dívidas da empresa chegam a aproximadamente R$ 17,3 bilhões.

A varejista já havia passado por uma recuperação extrajudicial em 2024, envolvendo cerca de R$ 4,1 bilhões em obrigações.

Mesmo após a reestruturação anterior, os problemas financeiros permaneceram e levaram a companhia a buscar uma nova proteção judicial.

Tok&Stok também busca reestruturação

O Grupo Toky, controlador da Tok&Stok e da Mobly, pediu recuperação judicial em maio de 2026.

A companhia apontou como fatores principais o ambiente adverso do varejo de móveis e decoração, os juros elevados e o crescente endividamento das famílias brasileiras.

O setor depende fortemente da disponibilidade de crédito ao consumidor, principalmente para compras parceladas de maior valor.

Com famílias mais endividadas e financiamento mais caro, a demanda tende a diminuir.

Marabraz acumula dívida de R$ 140 milhões

A Marabraz também entrou com pedido de recuperação judicial envolvendo aproximadamente R$ 140 milhões.

Além dos juros altos e da retração do consumo, a companhia enfrenta disputas societárias e familiares.

A empresa relatou ainda dificuldades para acessar crédito após perder o controle sobre ativos que anteriormente eram utilizados como garantia em operações financeiras.

Recuperação judicial não significa necessariamente falência

Embora o número de grandes empresas recorrendo à Justiça chame atenção, a recuperação judicial não representa automaticamente o encerramento de uma companhia.

O mecanismo permite que empresas em dificuldade negociem dívidas com credores enquanto tentam manter suas atividades.

O objetivo é evitar uma falência desordenada e permitir que a empresa reorganize seu caixa, venda ativos, renegocie prazos e apresente um plano para pagamento das obrigações.

O aumento dos casos em 2026 mostra, porém, que juros elevados, crédito restrito e consumo mais fraco estão colocando empresas de diferentes setores sob forte pressão financeira.

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Breno Veja Minas

Redator, escritor e gestor do Veja Minas, portal de notícias sobre Minas Gerais. Cuido de toda a operação editorial, da apuração à publicação, acreditando no jornalismo como forma de informar e aproximar as pessoas dos fatos.

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