Atual campanha de 2026 reúne dois políticos que, há quatro anos, protagonizaram uma das disputas mais tensas pelo Senado em Minas Gerais.

A aproximação entre Marcelo Aro e Cleitinho Azevedo na eleição de 2026 resgata um capítulo turbulento da política mineira. Hoje no mesmo campo político, os dois foram adversários diretos na disputa pelo Senado em 2022 e protagonizaram ataques públicos, acusações e questionamentos sobre a capacidade um do outro para exercer o mandato.
Naquele ano, Cleitinho acabou eleito senador por Minas Gerais. Aro, então adversário na corrida, terminou a campanha sem conquistar a vaga.
Quatro anos depois, o cenário mudou. Cleitinho lançou candidatura ao governo de Minas pelo Republicanos e confirmou apoio a Marcelo Aro na disputa pelo Senado.
Aro, por sua vez, afirmou publicamente que torcia pela candidatura de Cleitinho ao Palácio Tiradentes e passou a defender o nome do senador.
Aro acusou Cleitinho de mentir e questionou caso envolvendo familiares
Durante a campanha de 2022, a relação entre os dois chegou a um dos momentos mais tensos após Cleitinho chamar Marcelo Aro de “canalha” e “covarde”.
Aro respondeu com ataques igualmente duros.
Em uma das declarações, o então candidato mencionou uma acusação envolvendo familiares de Cleitinho em Divinópolis e cobrou explicações sobre um suposto desvio de R$ 10 milhões.
A fala de Aro foi apresentada no contexto da disputa eleitoral. A menção a supostos desvios não representa, por si só, comprovação de irregularidade por parte de Cleitinho ou de seus familiares.
O episódio voltou a ganhar repercussão justamente porque os antigos adversários agora aparecem politicamente próximos.
Aro também chamou Cleitinho de despreparado para o Senado
As críticas não ficaram restritas às acusações pessoais.
Durante a campanha de 2022, Marcelo Aro questionou a capacidade política de Cleitinho e afirmou que o então candidato fazia muito barulho nas redes sociais, mas seria despreparado para assumir uma cadeira no Senado.
Aro também criticou a estratégia de comunicação do adversário, marcada pelo uso intenso de vídeos e redes sociais.
Cleitinho já tinha forte presença digital naquele momento e construiu parte significativa de sua projeção política com conteúdos gravados em ruas, supermercados, postos de combustíveis e espaços públicos.
Apesar das críticas, foi Cleitinho quem venceu aquela eleição e assumiu uma das cadeiras de Minas no Senado Federal.
De adversários a aliados em 2026
A relação entre os dois mudou de forma significativa ao longo dos últimos anos.
Em agosto de 2026, Cleitinho confirmou que apoiará Marcelo Aro na disputa pelo Senado. A declaração ocorreu durante o anúncio de sua candidatura ao governo de Minas.
Aro também esteve envolvido nas articulações em defesa da candidatura de Cleitinho e chegou a fazer um apelo público para que o Republicanos mantivesse o senador na disputa pelo Palácio Tiradentes.
O Republicanos posteriormente confirmou Cleitinho como seu candidato ao governo estadual.
A aproximação coloca lado a lado dois nomes que, apenas quatro anos antes, disputavam o mesmo eleitorado e trocavam acusações públicas.
Mudança de alianças é comum na política
A recomposição entre Aro e Cleitinho ilustra como alianças eleitorais podem mudar de uma eleição para outra.
Em 2022, os dois concorriam diretamente pela mesma vaga no Senado, o que colocava ambos em lados opostos.
Já em 2026, eles disputam cargos diferentes. Cleitinho busca o governo de Minas Gerais, enquanto Marcelo Aro tenta chegar ao Senado.
Com interesses eleitorais diferentes e proximidade ideológica em diversos temas, os antigos rivais passaram a defender uma atuação conjunta durante a campanha.
Procurados pela Itatiaia para comentar especificamente as declarações trocadas em 2022 e a mudança na relação política, Aro e Cleitinho não quiseram se manifestar sobre os antigos ataques.
A nova composição deve ser um dos elementos observados durante a campanha eleitoral em Minas Gerais, especialmente pela forte repercussão que as declarações feitas por ambos tiveram quatro anos atrás.




