Em vídeo, ele afirma que cumprirá qualquer ordem judicial e diz que “não dá para fazer fake news” contra o partido. As falas são declarações dele. Não há confirmação de que o PT tenha feito o pedido.

Pablo Marçal publicou um vídeo nas redes sociais em que afirma que o PT pediu a suspensão do perfil dele no Instagram. Segundo ele, o motivo seria o desempenho do conteúdo: 1,1 bilhão de visualizações. No mesmo vídeo, ele pede voto em Flávio Bolsonaro (PL), o candidato do 22, no segundo turno, marcado para 25 de outubro.
Tudo o que está descrito abaixo é declaração de Marçal. O Veja Minas não conseguiu confirmar o que ele diz.
O que ele afirma
- que o PT pediu a suspensão do perfil dele no Instagram;
- que o perfil teria alcançado 1,1 bilhão de visualizações;
- que ele posta o que quiser e cumprirá na hora qualquer ordem judicial;
- que quem quiser pode procurar uma fake news nos conteúdos dele;
- que postagens de adversários foram apagadas, o que ele diz ser o caso do PT.
Ele também diz que é um “homem livre”, que foi candidato e que o PT “atrapalhou” a campanha dele.
“A verdade é pior que qualquer fake”
Durante o vídeo, Marçal afirma que “não dá para fazer fake news contra” o PT, porque “a verdade é pior que qualquer fake”. É uma opinião. Não prova que o conteúdo publicado por ele seja verdadeiro, e cabe à Justiça Eleitoral avaliar, caso a caso, se algum material é falso.
O que não foi confirmado
No material disponível, não consta:
- qualquer pedido formal do PT à Justiça Eleitoral, ao TSE ou à Meta (dona do Instagram) para suspender o perfil;
- qual publicação teria motivado o pedido e em qual processo;
- a origem do número de 1,1 bilhão de visualizações. A imagem mostrada no vídeo não foi verificada e, sem a fonte da métrica, o dado não pode ser confirmado;
- resposta do PT, da defesa de Marçal ou da plataforma;
- a data em que o vídeo foi gravado.
Em campanhas, processos por conteúdo costumam ser públicos e ficam registrados nos tribunais. O Veja Minas não encontrou registro desse pedido nas informações disponíveis para esta matéria.
Linguagem política
Marçal usa expressões como “erradicar o Brasil da doença chamada PT” e diz querer ver o partido “erradicado”. Trata-se de retórica política dele, que o Veja Minas não endossa. Pelo contexto, a fala se refere à derrota eleitoral do partido e não descreve uma ação concreta.
O que diz a lei
A propaganda eleitoral pode ser contestada na Justiça Eleitoral, que decide caso a caso se um conteúdo é falso ou ultrapassa os limites da crítica. Há decisões recentes do TSE que mandaram retirar conteúdos considerados falsos e mantiveram outros por entender que eram opinião política. Em geral, suspender um perfil inteiro é medida excepcional, e cabe recurso.
Antes de compartilhar
- confira a fonte de números como “1,1 bilhão de visualizações”;
- desconfie de vídeos que apresentam um pedido judicial sem mostrar documento;
- separe fato de opinião: “ele diz” não é o mesmo que “ficou comprovado”;
- lembre que conteúdo político falso pode ser denunciado à Justiça Eleitoral.
E em Sete Lagoas e em Minas Gerais?
A disputa por engajamento nas redes chega ao eleitor de Sete Lagoas e de todo o estado nesta reta final do segundo turno. Em Sete Lagoas, Flávio Bolsonaro teve 54,89% dos votos no primeiro turno, e Lula, 34,54%.
O Veja Minas acompanha o caso e atualiza a matéria quando houver manifestação do PT, da Justiça Eleitoral ou da plataforma.




