Relatório da Polícia Federal cita mensagens encontradas no celular da lobista e indica que parte do dinheiro teria sido usada em despesas de viagem. Defesa de Lulinha nega irregularidades e contesta as informações.

Um relatório da Polícia Federal trouxe novos elementos para as investigações envolvendo a empresária e lobista Roberta Luchsinger e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo a investigação, mensagens encontradas no celular de Roberta indicam que um operador financeiro ligado a ela teria recolhido R$ 300 mil em dinheiro vivo com uma pessoa ainda não identificada.
O valor teria sido entregue em pacotes lacrados, divididos em duas partes, uma de R$ 100 mil e outra de R$ 200 mil.
Mensagens citam dinheiro levado para residência
Entre as conversas analisadas pela PF, aparecem mensagens nas quais Roberta pede para ser avisada quando o dinheiro fosse recolhido.
Em resposta, o contato informa que havia pegado os valores e que os levaria para a residência dela.
Segundo o relatório, o operador também teria afirmado que os pacotes estavam lacrados e que o total correspondia a R$ 300 mil.
A origem do dinheiro e sua destinação completa estão entre os pontos investigados.
PF apura possível pagamento de passagens
Ainda segundo a investigação, pelo menos R$ 50 mil desse montante teriam sido enviados a uma agência de turismo.
A Polícia Federal identificou que a empresa era utilizada para emissão de passagens em nome de Roberta e também de Lulinha.
Em uma das mensagens atribuídas à lobista, ela fala sobre a necessidade de pagar passagens para “Fábio”.
Os investigadores tentam esclarecer se houve pagamento de despesas pessoais de Lulinha e qual seria a origem dos recursos utilizados.
Investigação apura possível tráfico de influência
Lulinha passou a ser alvo de investigações autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal após a Polícia Federal analisar a relação dele com Roberta Luchsinger.
Ela também aparece ligada a Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, investigado em um esquema relacionado a descontos irregulares em benefícios previdenciários.
A PF apura se Roberta, Lulinha e outros envolvidos teriam atuado conjuntamente para influenciar decisões ou negócios ligados ao governo federal.
Até o momento, não há condenação contra Lulinha ou Roberta relacionada a essas suspeitas.
Defesa nega pagamento de passagens
O advogado Marco Aurélio de Carvalho, responsável pela defesa de Lulinha, nega qualquer irregularidade.
Segundo ele, Roberta Luchsinger não pagou passagens aéreas para o filho do presidente no período citado pela investigação.
A defesa também critica a divulgação das informações e afirma que vazamentos relacionados ao inquérito estariam sendo usados politicamente durante o período eleitoral.
Os advogados de Roberta não apresentaram manifestação sobre o conteúdo específico das mensagens divulgadas.
As investigações continuam.




