Um relatório da Polícia Federal aponta suspeitas de que Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, teria concedido vantagens indevidas a servidores do Banco Central que, segundo os investigadores, atuavam informalmente em benefício dos interesses da instituição financeira.

Entre as vantagens citadas estão pagamentos por meio de contratos supostamente fictícios e viagens internacionais para destinos como Paris, na França, e Orlando, nos Estados Unidos.
Os investigados negam irregularidades.
PF cita atuação de servidores como “consultores informais”
O relatório menciona os ex-servidores do Banco Central Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana.
Na época das conversas analisadas, Belline era chefe do Departamento de Supervisão Bancária, enquanto Paulo Sérgio ocupava o cargo de chefe adjunto da mesma área.
Segundo a PF, os dois teriam orientado Vorcaro, revisado documentos destinados ao próprio Banco Central e ao Fundo Garantidor de Créditos e participado de discussões sobre assuntos de interesse do Banco Master.
Os investigadores classificaram essa atuação como incompatível com as obrigações funcionais dos servidores.
Mensagens mostram grupo com Vorcaro
De acordo com a investigação, os três mantinham conversas frequentes e chegaram a participar de um grupo de mensagens chamado “Master”.
A PF afirma que os servidores teriam compartilhado informações sobre movimentações financeiras que entravam nos sistemas de monitoramento do Banco Central e também dados relacionados a reuniões reservadas envolvendo investigações da Operação Compliance Zero.
O relatório também cita encontros privados e reuniões na residência de Vorcaro.
Viagem para Paris aparece na investigação
Segundo a Polícia Federal, Vorcaro teria articulado e custeado uma viagem de Belline e da esposa para Paris.
O banqueiro teria participado da organização de serviços de receptivo, guia e reservas em restaurantes na capital francesa.
A investigação cita ainda suspeita de que Belline tenha recebido R$ 2 milhões por meio de um contrato apresentado como prestação de serviços técnicos.
Uma planilha compartilhada entre Vorcaro e seu cunhado Fabiano Zettel também teria registrado o nome “Bellini” associado ao valor de R$ 500 mil entre despesas mensais.
A defesa de Belline nega que ele tenha recebido vantagem indevida e afirma que os elementos divulgados estão sendo apresentados de forma fragmentada.
Viagem à Disney também é citada pela PF
Em relação a Paulo Sérgio, a investigação aponta que ele enviou a Vorcaro, em janeiro de 2024, o roteiro de uma viagem familiar aos parques da Disney e da Universal, em Orlando.
Segundo o relatório, no mesmo dia o banqueiro pediu a um prestador de serviços que providenciasse guia e suporte para a família durante a viagem.
Na data do embarque, Paulo Sérgio teria enviado uma mensagem agradecendo a ajuda.
A PF também analisa uma negociação envolvendo uma propriedade rural no valor de R$ 4,8 milhões, posteriormente transferida para uma empresa ligada a Fabiano Zettel. Os investigadores suspeitam que a operação possa ter sido utilizada para ocultar movimentações financeiras.
Defesas negam favorecimento ao Banco Master
A defesa de Belline Santana afirma que ele sempre atuou dentro das atribuições do cargo e que depoimentos já prestados afastariam a hipótese de interferência irregular na fiscalização do Banco Master.
Também nega que Vorcaro tenha custeado serviços relacionados à viagem internacional.
A defesa de Paulo Sérgio afirma que as conversas divulgadas estão sendo retiradas de contexto e que a relação com o banqueiro fazia parte da atividade normal de supervisão bancária.
Segundo seus advogados, Paulo Sérgio participou da identificação de problemas no Banco Master e chegou a defender internamente medidas mais duras contra a instituição.
As suspeitas descritas pela Polícia Federal permanecem sob apuração e não representam condenação ou comprovação definitiva dos crimes atribuídos aos envolvidos.




