Conversas atribuídas a Fábio Luís Lula da Silva e Roberta Luchsinger mencionam negócios, reuniões com integrantes do governo e a frase “nosso futuro é Suíça”. Defesa do filho do presidente afirma que não há prova de irregularidade.

A Polícia Federal teria obtido mensagens trocadas entre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e a lobista Roberta Luchsinger, investigada por suspeitas de tráfico de influência.
As conversas foram reveladas nesta segunda-feira (17) pelo Metrópoles e fazem parte de material atribuído a investigações que apuram a atuação da lobista e sua relação com integrantes próximos ao governo federal.
Os diálogos indicariam que Lulinha tinha conhecimento de negócios discutidos por Roberta e participava de conversas envolvendo reuniões e contatos com pessoas que ocupavam cargos próximos ao presidente.
Não há, até o momento, condenação de Lulinha relacionada aos fatos mencionados.
“Nosso futuro é Suíça”
Um dos diálogos destacados teria ocorrido em março de 2024.
Na conversa, Roberta afirma a Lulinha que os dois trabalhavam em um “nível diferenciado” e menciona que “nosso futuro é Suíça”.
No mesmo diálogo, Lulinha comenta reuniões envolvendo Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, que atuava no gabinete presidencial, e Swedenberger Barbosa, que ocupou a Secretaria-Executiva do Ministério da Saúde.
As mensagens são analisadas no contexto das investigações, mas a existência de reuniões ou contatos, isoladamente, não comprova prática criminosa.
Relação com o chamado Careca do INSS é investigada
Roberta Luchsinger também aparece nas apurações relacionadas ao empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.
Segundo informações atribuídas às investigações da Polícia Federal, Roberta recebeu aproximadamente R$ 1,5 milhão em repasses ligados ao empresário.
Em uma das mensagens investigadas, teria sido mencionada a expressão “filho do rapaz” como possível destinatário de recursos.
Investigadores trabalham com a hipótese de que a referência pudesse ser a Lulinha, mas essa interpretação ainda faz parte da linha de investigação e não representa comprovação de que o filho do presidente tenha recebido o dinheiro.
Negociações envolvendo Ministério da Saúde
As apurações também envolvem uma tentativa do grupo ligado ao Careca do INSS de abrir espaço para negócios relacionados ao fornecimento de produtos à base de cannabis medicinal ao Sistema Único de Saúde.
Swedenberger Barbosa aparece nas mensagens por ter ocupado posição relevante no Ministério da Saúde no período citado.
O fato de nomes de integrantes do governo aparecerem nas conversas não significa, por si só, participação em irregularidades.
As autoridades investigam justamente se houve utilização de influência política para facilitar interesses privados dentro da administração pública.
Fernando Bittar também aparece nas mensagens
Outro nome mencionado nos diálogos é o empresário Fernando Bittar, antigo sócio de Lulinha.
Segundo a investigação relatada pela imprensa, os termos “Fernando” e “Fefe”, utilizados em algumas conversas, seriam referências a Bittar.
Em um dos diálogos, Roberta teria dito a Lulinha que Fernando estaria utilizando o nome dele durante uma negociação envolvendo a Telebras.
Lulinha então teria perguntado se ela já havia desmentido a situação.
A resposta de Roberta, segundo a reportagem, foi afirmativa.
Defesa de Lulinha nega irregularidades
A defesa de Fábio Luís Lula da Silva contesta qualquer interpretação de que as mensagens demonstrem participação em crimes.
Os advogados afirmam que Lulinha atualmente vive na Espanha e exerce atividades exclusivamente na iniciativa privada, sem relação direta ou indireta com o governo brasileiro.
A defesa também sustenta que as quebras de sigilo bancário e fiscal não apresentaram provas de irregularidades.
Os advogados ainda criticaram a divulgação de trechos de material sob investigação e afirmaram que pretendem se manifestar formalmente após terem acesso integral aos dados reunidos no inquérito.
Investigação ainda está em andamento
As mensagens ampliam as informações disponíveis sobre a relação entre Lulinha e Roberta Luchsinger, mas não representam, isoladamente, conclusão sobre eventual prática criminosa.
A Polícia Federal analisa movimentações financeiras, comunicações e relações entre os investigados para determinar se houve tráfico de influência, corrupção ou outras irregularidades.
Até que as apurações sejam concluídas e eventuais responsabilidades sejam definidas pela Justiça, as suspeitas precisam ser tratadas como linhas de investigação.




