Rafael Juergen Schult é apontado em mais uma investigação envolvendo homens armados na Zona Leste da capital. Comerciante afirma ter sido mantido em poder do grupo e ameaçado para pagar R$ 100 mil.

O policial civil Rafael Juergen Schult, atualmente foragido da Justiça, é investigado por suspeita de participação em mais um episódio envolvendo sequestro e extorsão na Zona Leste de São Paulo.
O caso aconteceu em 2 de julho e teve como vítimas um comerciante, a esposa dele, um filho recém-nascido e o enteado de 8 anos.
Imagens obtidas durante a apuração mostram homens armados abordando a família. Um deles aparece usando uma touca que cobre o rosto.
O comerciante é imobilizado e colocado dentro de um Audi preto.
Mulher e crianças foram libertadas
Segundo informações reunidas na investigação, a esposa e as duas crianças permaneceram em poder do grupo por aproximadamente uma hora e meia.
Elas acabaram sendo libertadas na região de Suzano, na Grande São Paulo.
O comerciante, entretanto, teria permanecido sob poder dos homens.
Segundo seu relato, ele só foi libertado depois de se comprometer a conseguir R$ 100 mil.
As circunstâncias e a participação de cada investigado ainda estão sendo apuradas.
Comerciante relata cobranças e ameaças por WhatsApp
Depois de ser libertado, o comerciante afirma que passou a receber mensagens cobrando o pagamento.
Os diálogos foram atribuídos pela própria vítima a Rafael Schult e agora integram o conjunto de informações analisadas no caso.
Nas mensagens, o interlocutor cobra o valor e sugere diferentes formas de pagamento.
Em determinado momento, aparece a possibilidade de entrega de um carro e de uma motocicleta para quitar parte da cobrança.
O comerciante chegou a dizer que tentaria vender bens para levantar o dinheiro.
“Só que a gente te acha”
O conteúdo atribuído ao interlocutor também apresenta ameaças.
Em um dos trechos, ele afirma que o grupo poderia localizar novamente o comerciante.
“Só que a gente te acha”, diz uma das mensagens.
Em outra conversa, há uma ameaça envolvendo a possibilidade de utilizar uma ocorrência policial contra a vítima.
“Te mando pra cadeia num B.O. pior que esse”, afirma o interlocutor.
A autoria dessas mensagens ainda precisa ser confirmada durante a investigação. A vítima sustenta que os diálogos foram mantidos com Schult.
Policial já é investigado em outro caso de sequestro
Rafael Schult também é investigado pela Corregedoria Geral da Polícia Civil por suspeita de participação no sequestro de outro homem na Zona Leste de São Paulo.
Nesse episódio, imagens mostraram homens armados rendendo e agredindo uma pessoa antes de colocá-la em um veículo com características de viatura descaracterizada.
A Justiça decretou a prisão do policial, que não havia sido localizado até a última atualização.
Os investigadores também analisam a possível participação de outras pessoas nas ações.
Caso de 2023 também está sob investigação
Schult ainda aparece em outro procedimento da Corregedoria relacionado a uma operação do Departamento Estadual de Repressão aos Narcóticos, o Denarc, realizada em 2023.
A apuração envolve imagens em que o policial aparece com uma mochila contendo maços de dinheiro durante uma operação relacionada ao tráfico de drogas.
Os agentes envolvidos afirmaram que as notas eram cenográficas e seriam usadas para simular uma negociação de drogas.
A atuação dos policiais naquele episódio permanece sob investigação.
Possível atuação de grupo armado é apurada
Diante da sequência de episódios, investigadores analisam se existe uma atuação coordenada de um grupo armado do qual Schult seria um dos integrantes.
A hipótese ainda está em investigação e não representa conclusão definitiva sobre a existência, estrutura ou liderança do grupo.
As autoridades deverão confrontar imagens, mensagens, depoimentos e outros elementos reunidos nos diferentes procedimentos para esclarecer a participação de cada envolvido.
Até a conclusão das investigações e eventual julgamento, as acusações contra Schult devem ser tratadas como suspeitas sob apuração.




