Minas

Primeira Mulher Trans da Pm de Minas Se Aposenta Após 31 Anos de Carreira

Subtenente Juliana ingressou na corporação em 1995, atuou em diferentes funções em Uberlândia e encerra a trajetória dizendo que pessoas trans precisam de oportunidades.

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Após 31 anos de serviço na Polícia Militar de Minas Gerais, a subtenente Juliana se aposentou neste ano em Uberlândia, no Triângulo Mineiro.

Ela afirma ter sido a primeira mulher trans a integrar a corporação mineira e relembrou a trajetória em um vídeo publicado nas redes sociais.

Juliana ingressou na PM em 1º de agosto de 1995 e entregou a documentação para aposentadoria no dia 27 de agosto.

No dia seguinte, publicou um vídeo em que falou sobre o encerramento da carreira e destacou uma mensagem que pretende levar adiante.

“Pessoas transgêneros precisam apenas de oportunidades”, afirmou.

Entrada na PM aconteceu pela música

Juliana entrou diretamente como sargento após realizar o Curso de Formação de Sargentos Músicos, voltado para a banda da corporação.

Apesar da formação específica, ela afirma que a rotina inicial foi essencialmente militar.

Ao longo da carreira, também atuou em diferentes frentes operacionais, incluindo patrulhamento, rebeliões em unidades prisionais, eventos, carnavais, partidas de futebol, festas agropecuárias e blitzes.

Durante a pandemia, passou a integrar um programa de acolhimento voltado a militares e familiares.

Depois, permaneceu trabalhando na área da saúde até a aposentadoria.

Transição aconteceu durante a carreira

Juliana contou que iniciou a terapia hormonal em 2023 e permaneceu na ativa durante o processo de transição.

Segundo o relato, ela enfrentou efeitos colaterais, mudanças físicas e emocionais, mas continuou trabalhando normalmente.

Antes de passar por uma cirurgia, decidiu comunicar ao chefe que era uma mulher trans e que estava em processo de transição.

Ela afirma que recebeu apoio dentro da corporação.

“Você nos ajudou muito, agora chegou a hora de nós ajudarmos você”, teria dito o superior.

A policial permaneceu aproximadamente 11 meses na PM após a transição.

Juliana diz não ter sofrido ataques dentro da corporação

Ao falar sobre os últimos meses de trabalho, Juliana afirmou que não sofreu humilhações, perseguições ou ataques dentro da Polícia Militar.

“Na Polícia Militar, eu não tenho nada a reclamar, ninguém me atacou lá dentro, ninguém me humilhou”, relatou.

Ela também disse que o ambiente no batalhão foi positivo, apesar de algumas restrições impostas à exposição pública.

Segundo Juliana, nas ruas, as pessoas demonstravam surpresa ao vê-la trabalhando uniformizada, mas ela afirma não ter sido alvo de agressões.

Carreira foi marcada por superação

Juliana também relembrou as dificuldades enfrentadas no início da carreira.

Ela conta que veio de uma família humilde e que a entrada na Polícia Militar representou uma possibilidade de mudar de vida.

Durante a formação, afirma que enfrentou forte pressão e chegou a pensar em desistir.

“Quando eu pensava em desistir, eu lembrava da pobreza”, contou.

Ela seguiu na profissão e permaneceu na corporação por mais de três décadas.

História como referência

Agora aposentada, Juliana afirma que pretende utilizar sua trajetória para mostrar que mulheres trans podem ocupar diferentes espaços profissionais.

Ela dedicou sua história à mãe e também às mulheres trans e travestis vítimas de violência.

Segundo a ex-policial, o objetivo é incentivar outras pessoas a enxergarem possibilidades além das barreiras que ainda enfrentam no mercado de trabalho.

A aposentadoria encerra uma trajetória iniciada em 1995 e que Juliana define como marcada por dedicação, desafios e sentimento de dever cumprido.

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Breno Veja Minas

Redator, escritor e gestor do Veja Minas, portal de notícias sobre Minas Gerais. Cuido de toda a operação editorial, da apuração à publicação, acreditando no jornalismo como forma de informar e aproximar as pessoas dos fatos.

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