Gravação voltou a circular junto com outras publicações antigas atribuídas à deputada de 21 anos. Autenticidade e contexto não foram confirmados, e a fala dela sobre o caso anterior foi de que se trata de fake news.

Ela foi convocada para conquistar o eleitorado jovem para Lula no segundo turno. Agora, a deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG) está no centro de uma nova onda de críticas nas redes por causa de um vídeo antigo que voltou a circular.
[Incluir aqui o veículo de origem das informações, se houver.]
Segundo o relato, na gravação ela afirma que “preto retinto” também pode ser racista, ao comentar o comportamento de pessoas negras do Sul do Brasil. O Veja Minas não conseguiu confirmar a autenticidade do vídeo, a data nem o contexto da fala. O título desta matéria usa a frase que o texto atribui a ela, e não uma síntese de terceiros.
O que está em jogo
O vídeo volta a circular em meio a outras publicações antigas atribuídas à deputada, que tratariam de igrejas, evangélicos, aborto e outros temas e teriam provocado forte reação nas redes. O relato fala em expressões ofensivas contra evangélicos. Tudo isso é descrição de quem divulga o material. O Veja Minas não viu os originais.
O pano de fundo é político: a campanha de Lula tenta reforçar a presença digital contra Flávio Bolsonaro (PL), e Ana Elisa foi chamada justamente para isso. O texto que circula avalia que a sequência de polêmicas gera desgaste e que a escolha dela passou a ser questionada por críticos da campanha. Essa é uma avaliação de quem escreveu. Não há dados no material que mostrem efeito sobre o voto.
Duas leituras possíveis
Quem critica vê, na fala atribuída a ela, uma generalização sobre um grupo de pessoas, e usa o vídeo para questionar a escolha da deputada para a campanha.
Quem defende pode argumentar que a frase foi tirada de contexto: dizer que racismo pode partir de pessoas de qualquer cor e região não equivale, por si só, a negar o racismo estrutural. Esse é um debate que existe há anos no país e não será resolvido por um corte curto.
O Veja Minas não toma partido nessa leitura. O que dá para dizer é que o contexto completo não foi apresentado, e sem ele nenhuma das duas interpretações pode ser confirmada.
O que Ana Elisa já disse
Na quinta-feira (8), diante de supostas postagens antigas divulgadas por parlamentares bolsonaristas, a deputada afirmou que levaria o caso ao TSE, dizendo que fake news é crime eleitoral. A fonte não informou se o pedido foi protocolado. Não há, no material disponível, resposta dela a este vídeo específico.
O que não foi esclarecido
- data e local da gravação;
- a fala completa, antes e depois do trecho;
- se o vídeo foi editado e como foi obtido;
- resposta da deputada, do PT e da campanha de Lula.
Quem é Ana Elisa
- Eleita por Minas Gerais com cerca de 524 mil votos, a mulher mais votada da história do estado para a Câmara. Há divergência entre fontes (524.216 e 524.219); o número oficial está no TSE.
- 21 anos, segundo o texto, e criadora de conteúdo com milhões de seguidores.
- Assume o mandato em fevereiro de 2027.
Racismo e a lei
Racismo é crime inafiançável e imprescritível, segundo a Constituição, e quem avalia se uma fala é crime é a Justiça, analisando o contexto. Não há notícia, no material disponível, de denúncia ou processo contra a deputada por esse vídeo.
Antes de compartilhar
- procure o vídeo completo, com data e fonte;
- desconfie de cortes que mostram só a frase mais polêmica;
- evite repassar o trecho com legendas que dizem mais do que a pessoa disse;
- lembre que conteúdo adulterado pode ser denunciado à Justiça Eleitoral.
E em Sete Lagoas e em Minas Gerais?
Ana Elisa foi a segunda deputada federal mais votada de Minas, atrás de Nikolas Ferreira, e o caso movimenta o debate entre eleitores do estado, incluindo Sete Lagoas, a 16 dias do segundo turno, em 25 de outubro. Na cidade, Flávio Bolsonaro teve 54,89% dos votos no primeiro turno, e Lula, 34,54%.
O Veja Minas acompanha o caso e atualiza a matéria quando houver resposta da deputada, confirmação da origem do vídeo ou decisão da Justiça Eleitoral.




