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Criadora da Polilaminina Acusa Anvisa de Restringir Uso Compassivo e Diz Que Só 3 ou 4 em Cada 100 Pacientes Atendem aos Novos Critérios

Em entrevista ao jornal A TARDE, a pesquisadora Tatiana Sampaio, da UFRJ, afirma que a agência reduziu o acesso ao tratamento experimental para lesão medular e chama a decisão de “arbitrária”. O tratamento ainda não tem eficácia comprovada, e a Anvisa não aparece na entrevista.

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A cientista Tatiana Sampaio, professora e pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e criadora da polilaminina, afirmou que a Anvisa restringiu o uso compassivo da substância, um tratamento experimental para lesões na medula espinhal. Segundo ela, a mudança deixou de fora a maioria dos pacientes que procuram o tratamento. A entrevista foi publicada pelo jornal A TARDE em 19 de outubro de 2026.

As declarações abaixo são da pesquisadora. O Veja Minas não encontrou, no material consultado, a posição da Anvisa sobre as críticas.

O que ela diz que mudou

De acordo com Tatiana Sampaio, o uso compassivo vinha sendo autorizado para pessoas com até quatro meses de lesão, em qualquer região da medula. Agora, segundo ela, a agência o limitou a lesões torácicas, de T2 a T10, e a pacientes com até três dias após a lesão.

“De cada 100 pessoas que chegam, só três ou quatro se encaixam”, disse. Ela afirma que a Anvisa a avisou da decisão e que não houve justificativa. Também diz que o paciente Bruno Drummond, cujo caso ganhou repercussão, não seria autorizado hoje, “nem pelo estudo clínico, nem pelo uso compassivo”.

O que é o uso compassivo

Tatiana Sampaio explica que o uso compassivo não é pesquisa, é assistência: o paciente, sem alternativa de tratamento, aceita usar um medicamento experimental e assina um termo ciente de que a eficácia não está comprovada e de que a segurança não é totalmente conhecida. Segundo ela, foram cerca de 100 casos nessa modalidade.

Os resultados que ela apresenta

A pesquisadora cita estes dados, que ainda não foram confirmados por estudo regulatório:

  • no estudo clínico acadêmico, com 8 pacientes (4 com lesão cervical e 4 com lesão torácica), 6 tiveram melhora, segundo ela;
  • nos casos de uso compassivo, ela diz observar melhora em 75% a 80% dos pacientes, o mesmo percentual do estudo acadêmico. O acompanhamento é feito a cada seis meses, e o universo analisado, segundo ela, caiu de 100 para cerca de 50, porque muitos pacientes ainda não completaram esse prazo;
  • em segurança, ela afirma que não houve evento adverso atribuível ao medicamento. As poucas mortes, diz, foram consequência da lesão e do estado dos pacientes.

Ela mesma reconhece que a eficácia não foi demonstrada cientificamente: “Não foi mesmo, mas ninguém disse que foi. O que a gente está dizendo é que é um resultado de impacto.”

Estudo clínico e parceria com a indústria

Segundo a entrevista, a Anvisa autorizou em janeiro deste ano o início do estudo clínico regulatório, conduzido pela farmacêutica Cristália, que, de acordo com o jornal, já investiu cerca de R$ 100 milhões na pesquisa. Esse estudo é de braço único: todos os participantes recebem o tratamento, sem grupo de controle. Se o resultado for positivo, a Cristália poderá pedir o registro do medicamento.

A pesquisadora afirma que não é contra grupo de controle e que existem desenhos alternativos, como o uso de dados de pacientes acompanhados em bancos de dados. Ela diz ainda que o trabalho foi publicado na revista científica Spinal Cord, do grupo Springer Nature, e que respondeu às cartas de críticos encaminhadas pelo editor. Segundo ela, as críticas não têm fundamento técnico. O Veja Minas não teve acesso a essas críticas.

Sobre a parceria, ela afirma que a UFRJ continua coproprietária da tecnologia, com direito a royalties, e que “não tem nada escondido”.

O que ela pede aos pacientes

Para quem tem lesão aguda e não consegue acesso ao uso compassivo, a pesquisadora recomenda: “entrem na Justiça, vão ao STF, façam manifestações, criem uma associação”. Segundo ela, a decisão da Anvisa seria “arbitrariedade ilegal”. Essa é a avaliação dela, e a agência não comentou na entrevista.

Para as lesões crônicas (há mais de um ano), ela diz que ainda não há resposta e que estudos em cães e ratos estão em andamento, com definição prevista para o meio do ano que vem.

O que ainda não foi esclarecido

  • Qual a justificativa da Anvisa para os novos critérios e se ela confirma o que a pesquisadora descreveu;
  • se há outra norma ou parecer que embase a restrição;
  • resultados do estudo clínico regulatório, que ainda está em andamento;
  • eficácia e segurança em número maior de pacientes e com grupo de comparação;
  • por que a pesquisadora afirma que a decisão partiu de “alguém” sem apontar quem.

Antes de compartilhar

A polilaminina é experimental, não tem registro na Anvisa e não é um medicamento aprovado. Os percentuais de melhora citados são declarações da pesquisadora, baseadas em poucos pacientes, e não equivalem a prova de eficácia. Pessoas com lesão medular e seus familiares devem conversar com a equipe médica e desconfiar de qualquer oferta de venda do produto.

E em Sete Lagoas e em Minas Gerais?

A entrevista não cita pacientes nem hospitais de Minas Gerais. Por se tratar de uma discussão regulatória nacional, a decisão da Anvisa vale para todo o país, incluindo moradores de Sete Lagoas e da região que tenham lesão medular.

O Veja Minas acompanha o caso e atualiza a matéria assim que houver novas informações, inclusive a posição da Anvisa e da Cristália.

Informações: entrevista de Tatiana Sampaio ao jornal A TARDE, 19/10/2026.

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Breno Veja Minas

Redator, escritor e gestor do Veja Minas, portal de notícias sobre Minas Gerais. Cuido de toda a operação editorial, da apuração à publicação, acreditando no jornalismo como forma de informar e aproximar as pessoas dos fatos.

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