Segundo mensagens de Daniel Vorcaro com a equipe de marketing, apresentadora recebeu o valor integral; assessoria diz que contrato foi assinado antes da crise e rescindido por cláusula reputacional, e nega contato com o ex-banqueiro

O Banco Master contratou a apresentadora Fátima Bernardes por R$ 5,4 milhões para ser garota-propaganda da instituição entre o segundo semestre de 2024 e o primeiro semestre de 2025, segundo reportagem do Metrópoles publicada na quinta-feira (22). As gravações chegaram a ser feitas, mas a campanha nunca foi exibida.
De acordo com o site, Fátima recebeu o valor integral do acordo, rescindiu o contrato diante da crise do banco e não devolveu os recursos, o que estava previsto no contrato. A assessoria da apresentadora afirma que a rescisão seguiu uma cláusula padrão em contratos de figuras públicas. Não há acusação de irregularidade contra ela.
O que dizem as mensagens
Os detalhes da negociação constam em conversas de Daniel Vorcaro, então dono do Master, com a equipe de marketing do banco. Segundo a reportagem:
- Em setembro de 2024, a chefe de marketing informou a Vorcaro que a apresentadora estaria livre de contratos com outras marcas a partir de novembro;
- Na mesma mensagem, a executiva citou uma pesquisa sobre a boa imagem de Fátima, sugeriu uma campanha de reputação para o Master e mencionou o valor de R$ 900 mil por quatro meses;
- Em novembro de 2024, o marketing informou que a campanha duraria seis meses, a R$ 900 mil por mês, totalizando R$ 5,4 milhões;
- Em dezembro, uma executiva disse que a apresentadora gostaria de conhecer Vorcaro rapidamente, por café ou videochamada. Ele respondeu que preferia conversar pessoalmente.

Por que a campanha não foi ao ar
Após o anúncio da tentativa de compra do Master pelo Banco de Brasília (BRB), que marcou o início da crise pública das duas instituições, o marketing informou a Vorcaro que havia paralisado as ações com a apresentadora. A equipe sugeriu redirecionar a campanha para a “Titan”, já que Fátima estava paga e com o material pronto, e Vorcaro concordou, segundo as mensagens.
A campanha acabou não sendo usada por causa do desgaste do banco. De acordo com o Metrópoles, Fátima acionou uma cláusula de rescisão e evitou que sua imagem fosse associada à crise, sem ter de devolver o valor recebido.
O que diz Fátima Bernardes
Por meio de sua assessoria de imprensa, Fátima Bernardes afirmou que:
- O contrato foi assinado antes da crise do Banco Master;
- O documento previa rescisão em caso de problema reputacional com o cliente ou com a contratada, o que, segundo ela, é comum em contratos de figuras públicas e influenciadores;
- A cláusula foi aplicada e a rescisão comunicada assim que foi divulgada a abertura de inquérito do Ministério Público sobre a compra do Master pelo BRB;
- Nunca houve contato direto entre ela e Daniel Vorcaro, nem presencial nem por videochamada;
- As negociações foram feitas pela agência Pullse, responsável pelas campanhas do banco;
- As gravações foram feitas, mas não exibidas, em respeito à cláusula de rescisão.
O caso Banco Master
Daniel Vorcaro é investigado na Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes financeiras, emissão de títulos de crédito falsos e operações envolvendo o Banco Master e o BRB. Mensagens extraídas do celular do ex-banqueiro, apreendido pela Polícia Federal, vêm revelando relações do Master com políticos, autoridades e figuras públicas.
O que ainda não foi esclarecido
- O que é a “Titan” citada nas mensagens e se a campanha chegou a ser usada para ela;
- Se o encontro sugerido pela equipe do Master em dezembro de 2024 chegou a ser marcado. A assessoria de Fátima nega qualquer contato com Vorcaro;
- Se os valores pagos a Fátima e a outras figuras públicas serão analisados pelos investigadores ou pelo liquidante do banco;
- O que dizem a agência Pullse e a defesa de Vorcaro. [posição da agência e da defesa]
Antes de compartilhar
Fátima Bernardes não é investigada no caso Banco Master, e a reportagem não aponta ilegalidade no contrato. Receber por uma campanha e rescindir o acordo com base em cláusula contratual não é crime. Evite compartilhar conteúdos que tratem a apresentadora como envolvida nas suspeitas de fraude.
E em Sete Lagoas e em Minas Gerais?
O caso não tem ligação direta com Sete Lagoas ou Minas Gerais.
O Veja Minas acompanha o caso e atualiza a matéria assim que houver novas informações.
Informações: Metrópoles.




