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terça-feira, 03 de novembro de 2026

Passada a eleição, governo Lula recua e vai manter escala 6×1 para vários setores

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Decreto e projeto de lei complementar devem tratar de categorias como petroleiros embarcados e aeronautas; senador autor de PEC paralela diz que garantia de dois dias de descanso não será alterada

Promulgada pelo Congresso em outubro, a emenda que acaba com a escala 6×1 ainda depende de regulamentação para definir como ficam categorias com jornadas diferenciadas. Segundo reportagens do Estadão, de O Globo e da Folha de S.Paulo, o governo Lula deixou essa regulamentação para depois do segundo turno.

A Casa Civil prepara um decreto para orientar sindicatos nas negociações coletivas e um projeto de lei complementar para tratar de atividades com escalas especiais, como petroleiros embarcados e aeronautas. Críticos do governo afirmam que as mudanças podem deixar setores fora da nova regra. O autor de uma PEC paralela sobre o tema, porém, nega que a proposta mexa na garantia de dois dias de descanso.

O que já foi aprovado

A emenda foi aprovada pelo Senado em 14 de outubro, por 75 votos, e promulgada em seguida. O texto prevê:

  • Fim da escala 6×1, com jornada máxima de cinco dias de trabalho por dois de descanso;
  • Redução da jornada de 44 para 42 horas semanais cerca de 60 dias após a promulgação e para 40 horas um ano depois;
  • Proibição de redução de salário;
  • Exceção para os chamados hipersuficientes (empregados com diploma de nível superior e salário a partir de 2,5 vezes o teto do INSS), que ficam fora das regras de controle de jornada, mas mantêm os dois dias de descanso.

O que está em preparação

  • Decreto: deve orientar sindicatos sobre aditivos a acordos coletivos e fixar um novo divisor para o cálculo do valor da hora de trabalho;
  • Projeto de lei complementar: vai tratar de categorias com escalas diferenciadas, como petroleiros embarcados e aeroviários, segundo a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE);
  • PEC paralela: anunciada em setembro pelo senador Eduardo Braga (MDB-AM), propõe ajustes para setores de funcionamento contínuo, como comércio, saúde, gastronomia e logística.

Os dois lados

Segundo a coluna do Estadão citada pela fonte, aliados do governo teriam combinado apresentar a proposta de exceções só depois do segundo turno. Para críticos, a conquista foi anunciada antes da eleição e o alcance real só será conhecido agora.

O senador Eduardo Braga afirma que a PEC paralela não vai alterar a garantia de dois dias de descanso semanal e que o objetivo é reconhecer setores com características específicas, além de evitar aumento de custos e de inflação nos serviços. O relator da PEC no Senado, Omar Aziz (PSD-AM), disse que Câmara e Senado terão de tratar alguns setores com rapidez.

O que ainda não foi esclarecido

  • Quais categorias terão regras específicas e quais serão essas regras;
  • Se a PEC paralela permitirá que os dois dias de folga sejam garantidos na média do mês, como está em estudo;
  • A data exata em que a jornada de 42 horas passa a valer;
  • Como ficam os acordos coletivos que não se adequarem às novas regras;
  • O valor do novo divisor da hora de trabalho.

Antes de compartilhar

A escala 6×1 não foi revogada nem “mantida”: a emenda está promulgada e as regras para setores específicos ainda não foram apresentadas. Desconfie de mensagens que anunciam listas de categorias excluídas sem fonte oficial.

E em Sete Lagoas e em Minas Gerais?

A mudança deve afetar trabalhadores com carteira assinada de comércio, serviços e indústria de Sete Lagoas e de todo o estado. Quem trabalha em escala 6×1 deve acompanhar as negociações do sindicato da categoria, que vão definir como a nova jornada será aplicada na prática.

O Veja Minas acompanha o caso e atualiza a matéria assim que houver novas informações.

Informações: Visão da Direita; O Estado de S. Paulo; Agência O Globo; Folha de S.Paulo; Congresso em Foco.

Breno Veja Minas
Colunista / Autor

Breno Veja Minas

Redator, escritor e gestor do Veja Minas, portal de notícias sobre Minas Gerais. Cuido de toda a operação editorial, da apuração à publicação, acreditando no jornalismo como forma de informar e aproximar as pessoas dos fatos.

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