Carlos Roberto Ferreira Lopes estava com mandado de prisão preventiva em aberto desde novembro de 2025. Presidente da Conafer é investigado na Operação Sem Desconto, que apura cobranças associativas indevidas em benefícios de aposentados e pensionistas.

O presidente da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), Carlos Roberto Ferreira Lopes, se entregou à Polícia Federal na noite de quarta-feira (12), em Brasília, após permanecer cerca de nove meses foragido.
Lopes se apresentou na Superintendência Regional da PF no Distrito Federal e foi preso em cumprimento a um mandado de prisão preventiva que estava em aberto desde novembro de 2025.
Presidente da Conafer é investigado na Operação Sem Desconto
Carlos Lopes é um dos principais investigados no núcleo da Conafer dentro da Operação Sem Desconto, investigação sobre descontos associativos realizados sem autorização em aposentadorias e pensões pagas pelo INSS.
Segundo a Polícia Federal, Lopes teria exercido posição de liderança no grupo investigado, com influência sobre transferências financeiras, distribuição de recursos e funcionamento do esquema atribuído à entidade.
Ele também está entre os 48 indiciados no primeiro relatório da PF sobre o núcleo da Conafer, concluído em julho.
As acusações ainda estão sujeitas ao processo judicial e ao direito de defesa. O indiciamento e a prisão preventiva não representam condenação definitiva.
Mandado estava em aberto desde novembro
A prisão preventiva foi determinada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, em novembro de 2025, durante uma nova fase da Operação Sem Desconto.
Na ocasião, a Polícia Federal tentou cumprir o mandado, mas Carlos Lopes não foi localizado.
O STF informou à época que as prisões preventivas foram determinadas a pedido da Polícia Federal no contexto das investigações sobre fraudes contra aposentados e pensionistas do INSS.
Investigação aponta descontos milionários
A Conafer está entre as entidades investigadas por causa dos descontos realizados diretamente nos benefícios previdenciários.
Segundo informações da investigação citadas pela Itatiaia, o núcleo relacionado à entidade teria movimentado mais de R$ 708 milhões em descontos considerados irregulares pela Polícia Federal.
Em setembro de 2025, durante depoimento à CPMI do INSS, Carlos Lopes negou envolvimento em fraudes e afirmou ser contrário a práticas de corrupção.
Na mesma audiência, parlamentares questionaram o crescimento da arrecadação da Conafer com mensalidades descontadas de aposentados.
Lopes já havia sido preso durante CPMI
Esta não é a primeira vez que o presidente da Conafer é preso durante as investigações relacionadas ao caso.
Em setembro de 2025, Lopes foi preso em flagrante após prestar depoimento à CPMI do INSS. A presidência da comissão entendeu que ele teria cometido falso testemunho durante a audiência.
Ele foi liberado posteriormente após o pagamento de fiança.
A prisão atual, porém, é diferente. Ela decorre do mandado de prisão preventiva expedido no âmbito da Operação Sem Desconto.
Conafer diz que entrega não representa confissão
Após a apresentação à Polícia Federal, a Conafer divulgou nota afirmando que Carlos Lopes compareceu voluntariamente e que a decisão de se entregar não representa reconhecimento de culpa ou confissão.
Segundo a entidade, o dirigente pretende apresentar documentos e informações durante a nova etapa de sua defesa e colaborar com as autoridades dentro dos limites legais.
Após os procedimentos realizados pela Polícia Federal, a previsão é de encaminhamento do investigado ao sistema prisional. As apurações sobre o núcleo da Conafer continuam.




