G3 Polaris prestou serviços ao TRE-BA nas eleições municipais de 2024. Investigação do MP-BA foi deflagrada em 2026 e apura supostas irregularidades em contratos com a Prefeitura de Salvador.

A G3 Polaris, empresa atualmente investigada pelo Ministério Público da Bahia por suspeitas envolvendo fraudes em licitações, cartel e outras irregularidades em contratos públicos de Salvador, recebeu quase R$ 10 milhões para prestar serviços durante as eleições municipais de 2024 na Bahia.
O contrato com o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia teve valor de R$ 9.899.745,02 e envolveu apoio administrativo e operacional em 205 zonas eleitorais que atendem os 417 municípios do estado.
A empresa foi responsável pela contratação de 1.660 profissionais para trabalhar em cartórios eleitorais, locais de votação e estruturas de armazenamento de urnas.
É importante destacar que a investigação envolvendo a G3 Polaris foi deflagrada apenas em 2026, quase dois anos depois da contratação feita pelo TRE-BA.
Empresa é investigada pelo MP-BA
A G3 Polaris está entre cinco empresas investigadas em uma apuração do Ministério Público da Bahia que envolve suspeitas de atuação de agentes públicos, empresários e políticos em contratos da Prefeitura de Salvador.
Segundo a investigação, o esquema teria atuado entre 2015 e julho de 2026.
Entre as suspeitas apuradas estão fraude em licitações e superfaturamento.
A operação já alcançou 19 pessoas, incluindo os sócios da G3 Polaris, Jandson de Carvalho Nunes e Lázaro de Carvalho Nunes.
De acordo com as apurações divulgadas, as cinco empresas investigadas teriam recebido ao menos R$ 321 milhões em contratos municipais ao longo de mais de dez anos.
Contrato com o TRE-BA foi de R$ 9,8 milhões
Para as eleições de 2024, o TRE-BA estimava inicialmente um gasto superior a R$ 11,3 milhões.
A proposta apresentada pela G3 Polaris, de aproximadamente R$ 9,8 milhões, venceu a licitação pelo critério de menor preço.
Mais de R$ 9,1 milhões estavam previstos para o primeiro turno e cerca de R$ 553 mil foram reservados para eventual segundo turno.
Também estavam incluídos gastos com uniformes, crachás, treinamento e operações logísticas.
A empresa ainda recebeu valores destinados a serviços extraordinários durante o período eleitoral.
Mais de 1,6 mil trabalhadores foram contratados
A operação envolveu profissionais distribuídos entre diferentes zonas eleitorais do estado.
No primeiro turno, foram contratados 24 supervisores e 1.456 auxiliares administrativos e operacionais.
Para o segundo turno, realizado apenas em municípios baianos que atendiam aos critérios legais, foram mobilizados três supervisores e 177 auxiliares.
A atuação incluía suporte em cartórios, galpões de urnas, zonas eleitorais e locais de votação.
TRE-BA diz que contratação foi regular
O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia afirmou que o contrato foi executado regularmente e que, no momento da contratação, não existia impedimento legal contra a empresa ou seus sócios.
Segundo o tribunal, foram feitas consultas aos cadastros oficiais utilizados para verificar eventuais punições, impedimentos ou declarações de inidoneidade.
O TRE-BA afirmou ainda que a empresa cumpriu os requisitos jurídicos e técnicos previstos no edital e prestou integralmente os serviços contratados.
A Corte ressaltou que a investigação do Ministério Público foi iniciada somente em 2026.
Não há, nas informações divulgadas, indicação de que o contrato eleitoral de 2024 seja apontado como fraudulento ou que a atuação da empresa tenha comprometido a votação.
A investigação do MP-BA concentra-se nas suspeitas relacionadas a contratos mantidos com estruturas da Prefeitura de Salvador.




