Para especialistas, o mais provável é que algumas horas passem a ser pagas “por fora”, principalmente em pequenas empresas; governo prepara crédito do BNDES e perdão de dívidas para amenizar o impacto
O fim da escala 6×1 pode provocar um aumento pequeno da informalidade no Brasil, principalmente nas pequenas empresas, mas não deve causar demissões em massa. É o que avaliam economistas ouvidos pela imprensa nacional sobre a mudança, que garante aos trabalhadores com carteira duas folgas semanais remuneradas.
Gabriel Ulyssea, da University College London, e Sergio Firpo, do Insper, preveem alguma alta no trabalho sem carteira. Já Marilane Teixeira, do Cesit/Unicamp, afirma que essa hipótese ainda precisa ser demonstrada.
O cenário mais provável
Segundo os economistas, a maior parte dos trabalhadores já está na escala 5×2, e a redução da jornada de 44 para 40 horas será escalonada, o que tende a amortecer o impacto. O cenário mais provável, avaliam, inclui:
- Trabalhadores fazendo algumas horas “por fora”, sem registro;
- Repasse de custos aos preços e redução das margens de lucro das empresas;
- Nenhuma onda de demissões, já que o desemprego segue baixo.
Ulyssea afirma que o fim da 6×1 é um passo na direção certa e que a mudança “não vai ser uma hecatombe”. Para ele, quem ganha perto do salário mínimo fica mais caro para o empregador, o que pode estimular contratações informais. Ele defende ampliar o banco de horas e facilitar o contrato por tempo parcial.
Firpo avalia que, em pequenas empresas, onde a fiscalização é menos frequente, o empregador pode trocar o trabalhador formal pelo informal. Para Teixeira, a redução da jornada exige adaptações mais difíceis para pequenos negócios, mas isso não significa que a informalidade vá necessariamente crescer.
O que o governo prepara
Para tentar evitar a alta da informalidade, o governo Lula (PT) deve enviar ao Congresso um projeto para perdoar dívidas de empresas do setor de eventos enquadradas no Simples Nacional, nos moldes do que fez com os MEIs. Empresas de pequeno porte também poderão acessar uma linha de crédito subsidiada do BNDES, prevista para os próximos dias.
A informalidade hoje
Segundo o IBGE, a taxa de informalidade foi de 37,4% da população ocupada (38,6 milhões de trabalhadores) no segundo trimestre de 2026, o menor patamar para o período desde 2020.
- Maiores taxas: Maranhão (56,9%), Pará (55,9%) e Amazonas (51,7%);
- Menores taxas: Santa Catarina (25,4%), Distrito Federal (28,7%) e Mato Grosso do Sul (29,2%).
Uma pesquisa do Sebrae mostra que a parcela de pequenos empresários que esperava impacto negativo caiu de 32%, em 2024, para 27%, em 2026, e que 51% não esperam impacto. Entre as estratégias citadas estão aumentar preços (28,9%) e reorganizar turnos (24%).
O que ainda não se sabe
- Quando a linha de crédito do BNDES será lançada e quais serão as condições;
- Quando o projeto de perdão de dívidas será enviado ao Congresso;
- Qual será o efeito real sobre o emprego formal, que só poderá ser medido depois da mudança.
O Veja Minas acompanha o caso e atualiza a matéria assim que houver novas informações.






