Revolution deixou de pagar R$ 14,8 milhões em taxas de gestão. Investimentos feitos pelo fundo de previdência do Rio são investigados pela Polícia Federal.

Um fundo ligado ao conglomerado do Banco Master alegou falta de recursos em caixa para justificar o não pagamento de R$ 14,8 milhões em taxas cobradas pela gestora Acura.
O fundo em questão é o Revolution, que recebeu R$ 481,5 milhões em aportes do Rioprevidência a partir de maio de 2025.
Os investimentos são investigados pela Polícia Federal.
Fundo deixou de pagar taxas por seis meses
A Acura era responsável pela gestão dos investimentos do Revolution e, pelo regulamento, tinha direito a uma taxa de 0,60% ao ano sobre o patrimônio líquido administrado.
Apesar disso, o fundo deixou de pagar as taxas entre setembro de 2025 e fevereiro de 2026.
A dívida acumulada chegou a R$ 14,8 milhões, com parcelas mensais que variavam de aproximadamente R$ 1,6 milhão a R$ 2,7 milhões.
A gestora entrou na Justiça para cobrar os valores.
Revolution alegou falta de dinheiro em caixa
Mesmo após receber centenas de milhões de reais do Rioprevidência, o Revolution alegou que não tinha liquidez suficiente para pagar as taxas de gestão.
A carteira do fundo incluía títulos com vencimentos de longo prazo.
Parte dos ativos de crédito apresentava remuneração de até 180% do CDI, situação que foi classificada pela Procuradoria-Geral do Estado do Rio de Janeiro como “economicamente anômala”.
Acura também enfrenta problemas financeiros
A própria Acura afirma estar em dificuldades.
Em processo judicial, a gestora declarou enfrentar “incapacidade econômica momentânea” e “insuficiência de liquidez”.
A companhia também relatou redução expressiva no número de fundos sob sua gestão após a Operação Compliance Zero.
Além disso, a Justiça do Rio determinou bloqueio de bens da gestora e de dois diretores até o limite de R$ 481,5 milhões.
Justiça determina medidas para garantir resgate
A Justiça também determinou medidas para tentar assegurar o resgate dos R$ 481,5 milhões investidos pelo Rioprevidência no Revolution.
A administradora do fundo está impedida de adotar medidas que dificultem ou atrasem o resgate.
Também foi determinada a realização de uma auditoria independente sobre a situação patrimonial da carteira.
Segundo as investigações da Polícia Federal, considerando diferentes operações realizadas nos últimos anos, o Rioprevidência aplicou cerca de R$ 3,7 bilhões em produtos financeiros ligados ao Banco Master.
As apurações continuam e buscam esclarecer as condições desses investimentos e eventuais responsabilidades.




