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Justiça de Minas Condena Pastor Lucinho e Igreja Batista da Lagoinha a Pagar R$ 150 Mil por Sermão sobre a Filha

Decisão da 17ª Vara Cível de Belo Horizonte reconhece dano moral coletivo por discurso discriminatório de gênero. Cabe recurso, e a defesa sustenta que a fala foi uma brincadeira em família.

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O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) condenou o pastor Lúcio Barreto Júnior, conhecido como pastor Lucinho, e a Igreja Batista da Lagoinha a pagarem R$ 150 mil por danos morais coletivos. A condenação é por discurso discriminatório de gênero e por incitação à violência sexual contra meninas e mulheres, durante um evento religioso.

A sentença é da juíza Miriam Vaz Chagas, da 17ª Vara Cível da Comarca de Belo Horizonte. Cabe recurso.

O que motivou a ação

A ação civil pública foi movida pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). Segundo o órgão, o pastor conduziu um evento voltado exclusivamente a homens, com mais de mil participantes, sobre educação de filhos.

Durante a pregação, de acordo com a ação, ele relatou ter beijado a filha na boca quando ela tinha 11 anos, e fez comentários de teor sexualizado sobre a menina. O Veja Minas não reproduz as frases por respeito à criança.

Divulgação nas redes da igreja

O MPMG sustentou que o sermão foi gravado e publicado no canal oficial da igreja no YouTube e reproduzido nas redes sociais sem nenhuma advertência ou crítica, o que gerou ampla repercussão e repulsa social.

Para o órgão, a fala ultrapassa a intimidade familiar e os limites da liberdade religiosa e de expressão, ao veicular uma mensagem sexista e patriarcal que objetifica o corpo feminino.

O que diz a decisão

A juíza afirmou que a Constituição garante a liberdade de crença, pensamento e religião, mas que nenhum direito é absoluto a ponto de justificar discursos que ofendam os direitos humanos ou atinjam a dignidade de grupos protegidos.

Segundo a magistrada, a proteção às religiões ampara a profissão da fé, os ritos e a pregação teológica, mas não autoriza discursos que normalizem a subjugação feminina ou sexualizem o tratamento dado a crianças no ambiente doméstico.

Ela também entendeu que a ausência de controle editorial sobre as falas dos pastores não isenta a igreja do dever de vigilância sobre manifestações públicas feitas sob sua autoridade espiritual e difundidas em seus canais oficiais.

Retratação obrigatória

Além da indenização, a sentença determina que o pastor faça um novo sermão, com duração e número de fiéis equivalentes ao do evento original. Nele, deverá exaltar o enfrentamento do ódio, da discriminação e de todas as formas de violência, inclusive sexual, contra mulheres e crianças, e se retratar expressamente das declarações.

A igreja deverá gravar e publicar a retratação completa no YouTube e em todas as suas redes sociais, e o conteúdo deve ficar acessível por pelo menos um ano.

O que dizem os condenados

Segundo a decisão, a Igreja Batista da Lagoinha argumentou que as falas foram feitas no exercício legítimo da liberdade religiosa e de expressão, com caráter hiperbólico e afetuoso, para elevar a autoestima da filha. A igreja disse ainda que não responde pelas declarações dos pastores nem tem controle editorial sobre os cultos.

O pastor afirmou que sua fala é protegida pelas liberdades constitucionais de crença e expressão. Ele também disse que o episódio ocorreu em 2011, em um momento de brincadeira com os filhos, sem conotação sexual.

Onde denunciar violência contra crianças

Qualquer pessoa pode denunciar suspeitas de violência sexual contra crianças e adolescentes pelo Disque 100, serviço gratuito, disponível 24 horas e com sigilo garantido. Em caso de risco imediato, ligue para a Polícia Militar (190).

E em Sete Lagoas e em Minas Gerais?

A decisão foi proferida em Belo Horizonte, mas o tema interessa a famílias e igrejas de Sete Lagoas e de todo o estado de Minas Gerais. Como cabe recurso, a condenação ainda pode ser discutida no TJMG.

O Veja Minas acompanha o caso e atualiza a matéria caso haja recurso ou nova manifestação das partes.

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Breno Veja Minas

Redator, escritor e gestor do Veja Minas, portal de notícias sobre Minas Gerais. Cuido de toda a operação editorial, da apuração à publicação, acreditando no jornalismo como forma de informar e aproximar as pessoas dos fatos.

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