Bolsonaristas resgataram supostas postagens antigas de Ana Elisa Santos Silva (PT) horas depois de ela entrar na campanha de Lula. A deputada eleita fala em fake news e ameaça ir à Justiça Eleitoral. A autenticidade dos prints não foi confirmada.

A guerra de prints chegou ao segundo turno. Na quinta-feira (8), parlamentares bolsonaristas passaram a divulgar supostas postagens antigas da deputada federal eleita Ana Elisa Santos Silva (PT), a mulher mais votada da história de Minas Gerais para a Câmara. O movimento veio depois de ela entrar para a campanha digital do presidente Lula. As informações são do blog Sonar, do jornal O Globo.
O que dizem os prints
As publicações atribuídas à deputada têm frases como “odeio branco” e “tô nem aí para empreendedor”, segundo o relato, em tom descontraído, com risadas e palavrões.
O Veja Minas reproduz as frases apenas porque são o centro da polêmica. Não há confirmação de que foram escritas por ela, de quando foram publicadas ou de que não foram editadas. O trecho de O Globo não informa a data das postagens.
A reação: “fake news é crime eleitoral”
Ana Elisa se manifestou e rebateu o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), que ironizou uma das publicações. Ela disse que vai levar o caso ao TSE.
Segundo ela, fake news é crime eleitoral, e é preciso suspender a diplomação dela, de Nikolas e de todos que estão publicando esse tipo de conteúdo. Foi uma declaração dela, e cabe à Justiça Eleitoral decidir se há conteúdo falso e se existe base para qualquer punição.
O que a deputada não detalhou
O trecho disponível não esclarece se Ana Elisa nega ter escrito as publicações, se diz que foram adulteradas ou se contesta o uso político de material antigo. A fonte também não informa se o pedido ao TSE já foi protocolado.
São as perguntas que decidem se o caso é de desinformação ou de polêmica sobre algo que ela de fato publicou. Até aqui, nenhuma das duas hipóteses foi comprovada.
Por que o caso pesa
- Ana Elisa teve 524.216 votos, o segundo maior número entre os candidatos a deputado federal em Minas, atrás só de Nikolas Ferreira.
- É a deputada federal mais jovem já eleita no país, segundo o relato, e tem 3,2 milhões de seguidores no Instagram.
- Foi convocada pelo PT para ajudar a campanha digital de Lula, que ficou atrás de Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno.
- A pesquisa Datafolha, a primeira do segundo turno, mostra Flávio com 49% e Lula com 45%.
Críticas à campanha digital de Lula
Segundo o relato, apoiadores do presidente reclamam da lentidão para reagir ao adversário, da linguagem das publicações e da dificuldade de fazer o conteúdo circular além das páginas oficiais. Participantes de uma reunião de Lula com parlamentares jovens da esquerda, na quarta-feira (7), dizem que parte da ala tradicional do PT ainda foca na defesa do legado, enquanto os mais jovens acham que isso não basta para ganhar o segundo turno.
O episódio mostra o risco da estratégia: quem entra na linha de frente da campanha digital vira alvo imediato da campanha adversária.
Antes de compartilhar
Print não é prova. Antes de repassar:
- procure a publicação original, com perfil e data verificáveis;
- desconfie de frases soltas, sem contexto, que chegam por corrente de WhatsApp;
- lembre que compartilhar conteúdo falso pode gerar responsabilização.
E em Minas Gerais?
A polêmica envolve duas das maiores votações do estado: Nikolas Ferreira, o mais votado, e Ana Elisa, a segunda. O eleitor de Sete Lagoas, onde o segundo turno será decidido voto a voto como no resto de Minas, deve checar a origem do que recebe e denunciar conteúdo falso à Justiça Eleitoral.
O Veja Minas acompanha o caso e atualiza a matéria quando houver a resposta do TSE ou a confirmação da origem das publicações.
Informações: blog Sonar, do jornal O Globo.




