Material dizia que “católico não vota em quem desrespeita Nossa Senhora”. O sacerdote afirmou que as informações do panfleto eram falsas e pediu que o homem se retirasse.

Um conflito entre um padre e um suposto eleitor de Lula (PT) foi presenciado na segunda-feira (12), Dia de Nossa Senhora Aparecida, na entrada do Santuário Nossa Senhora Aparecida, em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte. As informações são da CNN Brasil, com base em entrevista do padre ao portal Plantão de Notícias RMBH 031.
O Veja Minas não confirmou de forma independente a identidade do homem nem a versão completa dos fatos. A informação de que ele seria eleitor de Lula é da reportagem.
O que aconteceu
Segundo o relato, o homem, que vestia camiseta com a imagem de Lula e as cores do Brasil, distribuía panfletos na entrada da igreja. O padre Jorge Wydrych, responsável pela paróquia, foi até o local, do lado de fora, e pediu que ele parasse a distribuição e se retirasse. De acordo com o sacerdote, as informações do panfleto eram falsas.
O que dizia o panfleto
O material trazia frases como “católico não vota em quem desrespeita Nossa Senhora” e “não é sobre Lula, e sim sobre não depositar sua confiança em quem ameaça a nossa padroeira”. O documento tinha como objetivo “alertar” os devotos sobre os “riscos da vitória do candidato Bolsonaro”, segundo a reportagem.
Assinado pelo grupo Cristãos Católicos na Política, o panfleto apresenta o voto como forma de assegurar o futuro das próximas gerações e da fé. Ele pede que o eleitor vote pensando nos mais frágeis, como aposentados, jovens e quem precisa de escola, emprego e proteção social, e termina com “Vote 13, vote pela vida”. O número 13 é o de Lula na urna.
O que o padre disse aos fiéis
Durante a missa em homenagem à padroeira, o sacerdote destacou que a santa não pertence a nenhum lado político. Em entrevista ao Plantão de Notícias RMBH 031, ele afirmou:
“Cada um tem suas preferências pessoais, que devemos respeitar, mas não se deve colocá-la no meio.”
Disse também que o espaço sagrado merece respeito de todos os lados e que não vai permitir que desavenças políticas estraguem a festa.
De onde vem a polêmica
O episódio remete ao período anterior ao primeiro turno, quando passou a circular nas redes a especulação de que Flávio Bolsonaro (PL), se eleito, retiraria de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.
Segundo a CNN, a informação foi associada a uma declaração dele em agosto: “Quando eu for presidente, um dos meus primeiros atos será decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo.” Depois da repercussão, Flávio negou que tivesse qualquer plano de retirar o título.
O TSE determinou a remoção de conteúdos que associavam o candidato a essa suposta intenção, e o Veja Minas já noticiou a decisão do presidente da Corte, Kassio Nunes Marques, de mandar retirar vídeos do deputado André Janones (PT-MG) com essa afirmação, por considerá-los falsos.
O que ainda não foi esclarecido
No material disponível, não constam:
- o nome do homem e se ele tem ligação com a campanha de Lula ou com o grupo que assina o panfleto;
- se o grupo “Cristãos Católicos na Política” se manifestou;
- a reação da campanha de Lula ao episódio;
- se houve registro de ocorrência ou algum tipo de confusão física.
O panfleto cita Bolsonaro como “ameaça”, enquanto o padre diz que o conteúdo é falso. A decisão do TSE sobre o tema trata de conteúdos específicos e não de todo material que circula.
O que diz a lei
A propaganda eleitoral é permitida nos limites da lei, mas igrejas e templos podem restringir atividades dentro do espaço. A lei eleitoral proíbe a veiculação de propaganda em bens de uso comum, como igrejas, mas a regra tem nuances e a interpretação cabe à Justiça Eleitoral. O Veja Minas não afirma se houve infração neste caso.
Antes de compartilhar
- desconfie de panfletos e correntes que ligam candidatos a ataques à fé, de qualquer lado;
- procure a fala original do candidato citado e a checagem da Justiça Eleitoral;
- separe opinião de fato: “ameaça” e “risco” são avaliações, não fatos comprovados;
- lembre que conteúdo falso pode ser denunciado à Justiça Eleitoral.
E em Sete Lagoas e em Minas Gerais?
O caso aconteceu em Contagem, na Grande BH, e retrata a disputa que chega às igrejas de todo o estado, inclusive em Sete Lagoas, onde Flávio Bolsonaro teve 54,89% dos votos no primeiro turno e Lula, 34,54%. O segundo turno será em 25 de outubro. Respeitar o espaço de culto e o direito de cada um votar em quem quiser vale para todos.
O Veja Minas acompanha o caso e atualiza a matéria quando houver manifestação do grupo que assina o panfleto ou das campanhas.
Informações: CNN Brasil e Plantão de Notícias RMBH 031.




