Pular para o conteúdo
terça-feira, 03 de novembro de 2026

Pentágono quer bases militares autossuficientes por 90 dias, e Reino Unido orienta famílias a manter estoque de emergência

De microrreatores nucleares em bases militares a estoques de alimentos no Reino Unido, governos aliados se preparam para ataques cibernéticos e sabotagens que possam interromper serviços essenciais.

Planos preveem interrupções de energia e serviços essenciais em caso de conflito ou ataques cibernéticos; nenhum dos dois governos afirma que uma guerra seja iminente

O Pentágono quer que todas as principais bases militares dos Estados Unidos consigam funcionar por 90 dias sem ajuda externa, caso uma guerra interrompa o fornecimento de energia e as cadeias de suprimentos. Do outro lado do Atlântico, o Reino Unido lançou uma campanha orientando as famílias a manter alimentos, água e dinheiro em espécie para enfrentar até três dias sem serviços essenciais.

Segundo a revista Fortune, não se sabe se as duas iniciativas são coordenadas, e nenhum dos governos afirmou que uma nova guerra seja iminente. Ambos, porém, se preparam para interrupções que podem deixar casas e instalações militares sem serviços básicos.

O plano do Pentágono

O requisito faz parte de uma iniciativa chamada FORTRESS, segundo documentos internos citados pela Fox News:

  • Apresentada pelo secretário de Defesa, Pete Hegseth, em setembro, a iniciativa prevê que as bases gerem a própria energia, independentemente da rede civil;
  • A meta de 90 dias amplia a autossuficiência para água, combustível e comunicações;
  • O plano inclui microrreatores nucleares portáteis, grandes sistemas de baterias e microrredes capazes de desconectar as bases da rede elétrica civil. Em agosto, o Exército anunciou até US$ 2,2 bilhões para microrreatores em cinco bases;
  • Também estão previstas reservas estratégicas de munição, combustível, minerais críticos, eletrônicos e suprimentos médicos.

O Pentágono não divulgou custo nem prazo. Segundo um funcionário de defesa, cerca de 500 bases estão sendo avaliadas, e cumprir a meta pode levar décadas.

O governo americano não aponta um país específico como alvo do plano. Em 2024, agências de segurança dos EUA alertaram que hackers ligados ao governo da China haviam invadido redes de setores como energia, água e transporte, possivelmente para interromper serviços em um eventual conflito.

A campanha britânica

O governo britânico lançou em 22 de outubro a campanha Be Ready (“Esteja Pronto”), que recomenda manter em casa:

  • Três litros de água por pessoa por dia;
  • Alimentos não perecíveis que não precisem de cozimento ou geladeira;
  • Lanternas, carregadores portáteis e kit de primeiros socorros;
  • Rádio a pilha ou de manivela;
  • Comida e água para animais de estimação;
  • Dinheiro em espécie, caso cartões e caixas eletrônicos parem de funcionar.

Segundo a Fortune, a campanha é a primeira etapa de um programa de três anos que inclui eventos climáticos extremos e outras emergências, e o país já publica orientações desse tipo desde 2024. Por isso, a iniciativa não é um sinal repentino de guerra. Ainda assim, o secretário de Defesa britânico, Wes Streeting, escreveu que adversários poderiam ter condições de atacar até 2030, citando ameaças como ataques cibernéticos e sabotagem ligados a Rússia, China e Irã.

Uma tendência no Ocidente

A União Europeia também orienta seus moradores a manter suprimentos para pelo menos 72 horas desde 2025, e os EUA promovem anualmente um mês de preparação para emergências. Segundo a Fortune, a nova onda de planos reflete a preocupação crescente dos governos ocidentais com ciberataques, sabotagem e guerra híbrida.

O que ainda não foi esclarecido

  • Quanto vai custar o plano do Pentágono e em quanto tempo será implementado;
  • Se há coordenação entre as iniciativas dos EUA e do Reino Unido;
  • Se outros países aliados vão adotar medidas semelhantes.

Antes de compartilhar

Nenhum governo anunciou guerra iminente. Desconfie de mensagens que usam essas notícias para espalhar pânico ou incentivar compras em massa de alimentos e combustível.

O Veja Minas acompanha o caso e atualiza a matéria assim que houver novas informações.

Breno Veja Minas
Colunista / Autor

Breno Veja Minas

Redator, escritor e gestor do Veja Minas, portal de notícias sobre Minas Gerais. Cuido de toda a operação editorial, da apuração à publicação, acreditando no jornalismo como forma de informar e aproximar as pessoas dos fatos.

Ver todas as matérias do autor →