Um relatório sigiloso da Polícia Federal levantou suspeitas sobre a relação entre o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master.

O documento, produzido a partir de dados extraídos do celular de Vorcaro, cita movimentações financeiras, encontros pessoais e possíveis interesses relacionados a julgamentos no Supremo.
As informações representam hipóteses investigativas e não constituem conclusão definitiva de irregularidade por parte do ministro.
PF cita fundo que recebeu R$ 35 milhões
Segundo o relatório, o Fundo de Investimentos em Participações Arleen recebeu ao menos R$ 35 milhões de Vorcaro.
A Polícia Federal levantou a hipótese de que Toffoli pudesse ser beneficiário final ou proprietário de fato do fundo e de seus ativos.
O Arleen teria participação no Tayayá Aqua Resort, empreendimento localizado em Ribeirão Claro, no Paraná, ligado a Toffoli e familiares.
Posteriormente, ativos teriam sido transferidos para uma holding nas Ilhas Virgens Britânicas.
O gabinete do ministro negou qualquer irregularidade e afirmou que Toffoli jamais manteve recursos no exterior nem realizou operações nas Ilhas Virgens Britânicas.
Relatório cita encontros e ligações
A Polícia Federal também registrou ao menos 12 encontros presenciais planejados ou realizados entre Toffoli e Vorcaro entre o fim de 2023 e o início de 2025.
O levantamento menciona jantares, eventos e encontros no Brasil e no exterior.
Além disso, o relatório contabilizou 167 ligações telefônicas por aplicativo entre aparelhos associados aos dois.
O gabinete de Toffoli afirmou que o ministro nunca manteve relação de amizade, muito menos amizade íntima, com Vorcaro.
Mensagens levantaram suspeita sobre julgamento
Outra linha analisada pela PF envolve julgamentos relacionados a precatórios do setor sucroalcooleiro.
O Banco Master possuía interesse financeiro em teses jurídicas semelhantes às discutidas no Supremo, com uma carteira superior a R$ 10 bilhões, segundo o documento.
Mensagens entre Vorcaro e interlocutores chamaram a atenção dos investigadores após uma mudança de voto de Toffoli em julgamento relacionado ao tema.
Em determinado momento, Vorcaro teria escrito que estava “tratando” da situação após manifestar preocupação com o posicionamento do ministro.
Posteriormente, Toffoli adotou entendimento favorável à tese defendida pela usina envolvida no processo.
A PF destacou que a sequência dos acontecimentos exige aprofundamento e não apresentou conclusão de interferência indevida.
Gabinete nega mudança irregular de voto
A assessoria de Dias Toffoli afirmou que não houve alteração indevida de posição no julgamento e que o voto do ministro manteve coerência jurídica.
O gabinete também informou que o relatório policial foi arquivado, com decisão já transitada em julgado, e que os demais ministros do Supremo tiveram conhecimento do conteúdo.
O documento foi assinado por quatro delegados da Polícia Federal e encaminhado à cúpula do STF.
As suspeitas descritas no relatório, portanto, não equivalem a comprovação de crime, corrupção ou favorecimento judicial.




