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quarta-feira, 04 de novembro de 2026

Senado aprova PEC da Segurança Pública por unanimidade e deixa redução da maioridade de fora

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Proposta foi aprovada por 73 a 0 no primeiro turno e 75 a 0 no segundo e vai à promulgação; emendas sobre maioridade penal foram separadas por 38 a 36 e vão tramitar na CCJ

O Senado aprovou na terça-feira (3) a PEC da Segurança Pública, que reorganiza as forças policiais e amplia a integração entre União, estados e municípios no combate ao crime organizado. O texto teve 73 votos a favor e nenhum contra no primeiro turno e 75 a 0 no segundo. Como não houve mudanças em relação à versão da Câmara, a proposta segue para promulgação pelo Congresso.

A redução da maioridade penal, que concentrou o debate, ficou de fora. Os senadores aprovaram, por 38 votos a 36, que as emendas sobre o tema tramitem como propostas separadas, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

O que muda com a PEC

  • O Sistema Único de Segurança Pública (Susp), criado por lei em 2018, passa a constar na Constituição, com regras de cooperação entre os governos;
  • Operações conjuntas, forças-tarefa e compartilhamento de informações entre os órgãos de segurança;
  • A Polícia Federal ganha atribuições em crimes com repercussão interestadual ou internacional e em atividades de inteligência;
  • A Polícia Rodoviária Federal poderá atuar também em ferrovias e hidrovias federais;
  • Os municípios poderão criar polícias municipais, com critérios como capacidade financeira e formação padronizada. A PEC proíbe guarda e polícia municipal com funções sobrepostas na mesma cidade;
  • Criação do Sistema de Políticas Penais, para integrar a gestão dos presídios;
  • Regras mais duras para integrantes de facções e milícias, como cumprimento de pena em presídios de segurança máxima, limites à progressão de regime e confisco de bens;
  • Destinação de 10% do superávit do Fundo Social do pré-sal para a segurança pública e proteção dos fundos do setor contra bloqueios.

A disputa sobre a maioridade penal

O líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN), propôs reduzir a maioridade para 16 anos na maioria dos crimes e para 14 anos em crimes hediondos. O líder do PT, Camilo Santana (CE), apresentou emenda para reduzir para 16 anos apenas em crimes hediondos.

O relator, Rogério Carvalho (PT-SE), considerou o tema estranho à PEC e propôs a tramitação separada, para que o texto não precisasse voltar à Câmara. Marinho discordou e afirmou que a maioridade faz parte da segurança pública. Juristas divergem sobre se a idade penal, prevista no artigo 228 da Constituição, pode ser alterada por emenda constitucional.

Ao fim da sessão, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), disse que Marinho e Camilo constroem um entendimento para que a redução seja analisada rapidamente na CCJ.

Repercussão

Em nota, o presidente Lula (PT) parabenizou os senadores e voltou a prometer a criação do Ministério da Segurança Pública. O senador Flávio Bolsonaro (PL), que está nos Estados Unidos, votou a favor da PEC nos dois turnos, de forma remota.

O que ainda não se sabe

  • A data da promulgação da emenda;
  • Quando a CCJ vai analisar as propostas de redução da maioridade;
  • Como e quando as mudanças serão regulamentadas.

O Veja Minas acompanha o caso e atualiza a matéria assim que houver novas informações.

Breno Veja Minas
Colunista / Autor

Breno Veja Minas

Redator, escritor e gestor do Veja Minas, portal de notícias sobre Minas Gerais. Cuido de toda a operação editorial, da apuração à publicação, acreditando no jornalismo como forma de informar e aproximar as pessoas dos fatos.

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