Documento reúne conversas atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro e ao ministro Alexandre de Moraes. Em paralelo, registros técnicos indicam que Moraes teve acesso e fez alterações em contrato de R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório de sua esposa.

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, retirou nesta terça-feira (1º) o sigilo de um relatório da Polícia Federal que reúne mensagens envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.
O documento passou a ganhar atenção depois da divulgação de conversas nas quais Vorcaro menciona a necessidade de obter “proteção” de pessoas identificadas como “Andrei” e “Paulo”.
Segundo relatório da própria Polícia Federal, as referências seriam ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.
A PF também apontou que as mensagens teriam sido enviadas a Alexandre de Moraes.
Relatório passa a ser público
Com a retirada do sigilo, o conteúdo poderá ser analisado publicamente.
O material deverá ajudar a esclarecer o contexto das conversas, o significado das referências feitas por Vorcaro e se houve alguma atuação concreta das autoridades mencionadas.
A simples presença dos nomes em mensagens, no entanto, não comprova que Andrei Rodrigues, Paulo Gonet ou Alexandre de Moraes tenham oferecido qualquer tipo de proteção ao banqueiro.
Moraes aparece como editor de contrato de R$ 131 milhões
Outro ponto que ganhou repercussão nesta terça envolve um contrato firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes.
Registros técnicos extraídos do celular de Daniel Vorcaro indicam que a versão final do documento foi modificada em um perfil do Microsoft Office 365 identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”.
A alteração aparece registrada em 15 de janeiro de 2024.
O contrato previa honorários que poderiam chegar a aproximadamente R$ 131 milhões.
Escritório confirma consulta ao ministro
O escritório Barci de Moraes afirmou que Alexandre de Moraes foi consultado antes da assinatura do contrato.
Segundo a manifestação, o objetivo era verificar se existiam impedimentos legais para a prestação dos serviços ao Banco Master.
O escritório sustenta que, após a análise, não foram identificados impedimentos e o contrato seguiu adiante.
A informação de que Moraes teve acesso ao documento, por si só, não representa comprovação de irregularidade.
Caso Master ganha novo capítulo
As novas informações ampliam a pressão por esclarecimentos sobre as relações envolvendo Daniel Vorcaro, o Banco Master e integrantes do sistema de Justiça.
André Mendonça já havia solicitado à Procuradoria-Geral da República informações sobre as mensagens encontradas pela Polícia Federal.
Agora, com a retirada do sigilo, o conteúdo do relatório passa a integrar de forma mais ampla o debate público sobre o caso.
As investigações continuam e deverão esclarecer se as conversas resultaram em alguma atuação irregular ou se permaneceram apenas no campo das solicitações feitas pelo banqueiro.




