O presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, publicou um vídeo em que aparece ao lado de sacos mortuários após uma operação militar contra um grupo armado dissidente no país.

Segundo o governo colombiano, a ação resultou na morte de 23 pessoas e na captura de outras seis, incluindo um homem apontado pelas autoridades como liderança da organização.
Vídeo foi usado como demonstração de força
Nas imagens, Espriella aparece acompanhado de autoridades militares e policiais enquanto apresenta o resultado da operação.
O presidente classificou a ofensiva como um dos maiores golpes recentes contra o grupo e afirmou que o governo adotará uma política mais dura contra organizações ligadas ao narcotráfico e à atuação armada no território colombiano.
A identidade de todos os mortos ainda não havia sido divulgada.
Especialistas criticam exposição dos corpos
A divulgação do vídeo provocou críticas de especialistas em segurança e direitos humanos.
A principal preocupação é que a exposição pública dos corpos transforme uma operação militar em instrumento de propaganda política e enfraqueça garantias relacionadas ao devido processo legal.
A Colômbia possui um histórico sensível nesse tema. Durante décadas de conflito armado, o país enfrentou o chamado escândalo dos “falsos positivos”, quando civis foram mortos e apresentados indevidamente como guerrilheiros abatidos em combate.
Operação ainda deverá passar por apuração
Como ocorre em ações militares com mortes, as circunstâncias da operação deverão ser analisadas pelas autoridades responsáveis.
Até o momento, não há confirmação pública da identidade de todas as vítimas nem de detalhes que permitam estabelecer a situação individual de cada uma delas.
O governo sustenta que os mortos integravam um grupo armado e que a operação ocorreu dentro da estratégia de combate ao narcotráfico e às organizações que atuam em regiões da Colômbia.
Governo endurece discurso contra grupos armados
Espriella assumiu a Presidência em agosto e tem adotado um discurso de enfrentamento mais direto contra facções ligadas ao narcotráfico e grupos dissidentes.
A estratégia representa uma mudança em relação ao período anterior e ocorre em meio à permanência de organizações armadas em diferentes regiões do país, mesmo após o acordo de paz firmado com as Farc em 2016.
A divulgação das imagens ampliou o debate sobre os limites da comunicação oficial em operações de segurança e sobre o uso político de cenas de violência.




