Carlinhos da Pedreira diz ter flagrado dois plantonistas no alojamento com a emergência lotada; Cremepe e sindicato repudiam a exposição, e prefeitura rompe contrato com associação que geria o hospital
Um vídeo gravado dentro do hospital municipal de Barreiros, na Zona da Mata Sul de Pernambuco, mostra o prefeito Carlos Artur Soares de Avelar, o Carlinhos da Pedreira (PP), gritando com dois médicos e expulsando os profissionais durante uma visita surpresa. O caso aconteceu na noite de quarta-feira (4) e viralizou nas redes sociais.
No vídeo, o prefeito diz ter flagrado os plantonistas “dormindo” e “namorando” no alojamento enquanto a emergência estava lotada, e os chama de “vagabundos”. Os nomes dos médicos, um homem e uma mulher, não foram divulgados.
O que diz o prefeito
Segundo o prefeito, a visita foi motivada por denúncias de falta de médicos. Em um podcast publicado na quinta-feira (5), ele afirmou que:
- Chegou do Recife por volta das 22h e encontrou a recepção lotada;
- Foi informado de que havia três médicos, mas só um atendia;
- Encontrou os outros dois dormindo no mesmo quarto e os demitiu na hora, por considerar a situação negligência.
O contrato rompido
A prefeitura anunciou a rescisão do contrato de gestão do Hospital Jailton Messias de Souza Albuquerque com a Associação João Paulo II. Segundo a nota, a Secretaria de Saúde reassume a gestão de forma temporária, e uma licitação já foi aberta para contratar uma nova organização. A prefeitura agradeceu à associação pelos serviços e diz que a continuidade do atendimento é prioridade.
O que dizem as entidades médicas
O Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) repudiou a exposição pública dos plantonistas. Para o conselho, questionamentos sobre escalas e atendimento devem ser tratados pelos meios institucionais, e a fiscalização não dá a nenhum gestor o direito de expor médicos ao julgamento público.
O Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe) afirmou que:
- A presença de uma médica e um médico em ambiente de repouso não autoriza insinuações sobre a vida íntima, e as imagens não mostram que eles estivessem “namorando”;
- Recebeu relatos de que os dois descansavam depois de 12 horas de intensa atividade no plantão, enquanto um terceiro médico continuava atendendo;
- O repouso durante os plantões, quando organizado, não configura abandono do serviço;
- Repudia a desqualificação profissional baseada em estereótipos de gênero.
O que ainda não se sabe
- O que diz a Associação João Paulo II, procurada pela imprensa; [CONFIRMAR]
- Se os médicos vão tomar medidas judiciais contra o prefeito;
- Se o Ministério Público vai apurar a situação do hospital.
O Veja Minas acompanha o caso e atualiza a matéria assim que houver novas informações.






