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Pf Investiga Ong Ligada a Pastores por Suspeita de Desvios em Contratos de R$ 117 Milhões

A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União investigam a Associação Beneficente Evangélica (ABE) e integrantes ligados à Assembleia de Deus de Brasília por suspeita de desvio de recursos públicos, uso de empresas de fachada, contratação de familiares e irregularidades na gestão de convênios.

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Segundo a investigação, a entidade administrou cerca de R$ 117 milhões em contratos com a Secretaria de Educação do Distrito Federal entre 2012 e 2025.

A apuração ainda não definiu qual parcela desse valor teria sido utilizada de forma irregular.

Mais de R$ 420 mil teriam sido desviados para papelaria

Além dos contratos educacionais, a associação recebeu cerca de R$ 850 mil em convênios com o Ministério da Cultura e o Ministério do Trabalho e Emprego.

Desse valor, segundo relatório da Polícia Federal, mais de R$ 420 mil teriam sido direcionados a uma papelaria de Taguatinga.

A empresa teria alterado sua atividade secundária para incluir ensino de música e passou a receber verbas destinadas a projetos de capacitação e cultura.

Pastor é apontado como gestor oculto

Formalmente, a ABE era presidida pelo pastor Willthimberg Bittencourt da Silva.

A investigação, porém, aponta que a gestão efetiva da entidade seria exercida pelo pastor Manoel Pereira Xavier e pela esposa dele, Maria Marta Xavier.

Segundo a PF, Willthimberg teria atuado como uma espécie de presidente formal, enquanto decisões financeiras e administrativas seriam tomadas nos bastidores pelo casal.

Família aparece em cargos e empresas contratadas

Relatórios também apontam a presença de filhos, noras, sobrinhas e outros parentes em cargos da associação e em empresas contratadas.

Uma das citadas é Poliana Rodrigues Lopes Xavier, nora do casal, que aparece como sócia-administradora da empresa que teria recebido aproximadamente R$ 420 mil.

A PF investiga ainda pagamentos diretos, acúmulo de funções, contratações cruzadas e repasses a integrantes da família.

12 pessoas são investigadas

Ao todo, 12 pessoas aparecem na investigação.

Entre elas estão dirigentes formais da associação, pastores, familiares, prestadores de serviços e pessoas ligadas à estrutura administrativa da entidade.

Os investigadores apuram suspeitas de desvio de recursos públicos, uso de “laranjas”, empresas de fachada, nepotismo, movimentações financeiras atípicas e possíveis fraudes trabalhistas.

PF também apura movimentação em dinheiro vivo

O relatório menciona ainda gastos considerados desproporcionais com combustíveis, grande circulação de dinheiro em espécie e demissões e recontratações em massa no fim de cada ano.

A suspeita é de que esse procedimento pudesse ser utilizado para reduzir ou evitar encargos trabalhistas.

Apesar de ter movimentado mais de R$ 117 milhões em contratos, a associação acumulou dívida ativa com a União superior a R$ 9,5 milhões entre 2018 e 2023.

Investigação continua

O inquérito segue em andamento com quebras de sigilo, análises financeiras e diligências conduzidas pela Polícia Federal e pela CGU.

Caso os indícios sejam confirmados, caberá ao Ministério Público Federal decidir sobre eventual apresentação de denúncia.

Os investigados ainda não foram condenados e terão direito à defesa durante o processo.

Órgãos públicos envolvidos afirmaram que acompanham as prestações de contas e que eventuais irregularidades serão analisadas pelos procedimentos administrativos e de controle competentes.

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Breno Veja Minas

Redator, escritor e gestor do Veja Minas, portal de notícias sobre Minas Gerais. Cuido de toda a operação editorial, da apuração à publicação, acreditando no jornalismo como forma de informar e aproximar as pessoas dos fatos.

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